As possíveis causas do conformismo social no Brasil

Enviada em 28/06/2024

Durante o período clássico, na Roma Antiga, era comum que os governadores utilizassem da chamada “política de pão e circo”, festivais e banquetes para que o povo se conformasse com os problemas do Estado. Analogamente a isso, no Brasil contemporâneo, tem-se um conformismo social causado pela banalização de dificuldades sociais e pela alienação dos cidadãos.

Em primeiro plano, cabe destacar que a banalização de adversidades sociais dificulta a percepção da necessidade de mudança. Segundo a filósofa Hannah Arendt, a “banalização do mal”, estaria presente em momentos que a sociedade se acostuma aos problemas que vive. Esse pensamento pode, então, ser relacionado à realidade vivida no Brasil, em que moradores de rua, por exemplo, se tornaram tão comuns, que a sociedade não reconhece mais a problemática dessa situação. Assim, o povo precisa desenvolver ensamento crítico, para que não se deixe levar pelo comodismo das massas. Pois, como foi dito pelo ex-ministro da educação Darcy Ribeiro, “Ou nos indignamos, ou nos conformamos”.

Além disso, o alheamento da população perante questões socioeconômicas deve ser ressaltado. Conforme o sociólogo Karl Marx, o “exército industrial de reserva” seria um excesso da força de trabalho em relação às necessidades de produção. Dessa forma, tal excedente é utilizado para convencer os trabalhadores a aceitarem péssimas condições, já que há desempregados em situações piores. De modo semelhante, no Brasil, as pessoas se conformam com sua condição atual ao perceber outros em situação mais precária. Logo, é necessário educar o povo sobre seus direitos, visto que, em conformidade com os iluministas Déderot e D’Alembert, a democratização da educação é fundamental no combate à alienação.

Portanto, é preciso que medidas sejam tomadas para mudar o status quo. Por meio da capacitação de professores desde sua formação, o Ministério da Educação deve proporcionar aulas de ciências humanas que exercitem o pensamento crítico dos alunos, discutindo sobre os direitos do cidadão e como exigi-los. Com isso, espera-se amenizar a banalização dos males e promover a liberdade intelectual do povo, de maneira a evitar cenários análogos àquele da Roma Antiga.