As possíveis causas do conformismo social no Brasil
Enviada em 01/07/2024
A história do Brasil é repleta de insubordinações e insurreições. Entre muitas, se destaca a Inconfidência Mineira. Nas Gerais, um grupo inconformado com as altas exigências da coroa Portuguesa conjurou um movimento que se destinava a livrar a região aurífera das taxações abusivas. O resultado: foram severamente reprimidos. Dessa maneira, podemos afirmar que o conformismo no Brasil atual tem raiz em nossa formação histórica e também em nossa dependência econômica.
Em um primeiro momento fica evidente o fato de que em nossa construção social nunca houve uma sociedade estabelecida entre iguais. Na colonia, a estratificação entre senhores de engenho, seus escravos e dependentes, gerou a sensação de que a regra é se conformar com o comando da casa grande. Assim, como fato imediato aprendemos sempre que a ordem de riqueza impõe o conformismo, o que repercute no sistema punitivo e também na descrença com as instituições democráticas para realização e concretização de direitos sociais. Por outro lado, podemos lembrar que o país saiu fraturado de uma ditadura que durou, na época recente, mais de 20 anos. Neste caso, aprendemos a nos conformar com a ordem estabelecida e com as regras sociais impostas pela cultura de vigilância e segredo determinada com a militarização, com evidente impacto na cultura e na liberdade.
Em outro giro, a fragilidade econômica que atinge 80% da população brasileira,
cria uma cultura de conformismo com a consequente dependência de programas sociais e de assistencialismo que demanda cada vez mais a atuação do Estado na distribuição de recursos, como por exemplo, na previdência social. Neste sentido, muitas vezes, escandalos de corrupção e desvios de dinheiro acabam sendo aceitos
e a sociedade se conforma com tais desmandos.
Enfim, para aliviar tais causas de nosso conformismo, são necessárias ações de curto e longo prazo. No curto prazo, o incentivo a educação de jovens e adultos a exigirem seus direitos e não se conformarem com a pobreza e exclusão, poderia ser feito no âmbito do Ministério da Educação dentro do curriculum das matérias de História e Filosofia. No longo prazo, o aumento da fiscalização aos Municipios que recebem verbas para combate a desigualdade econômica e social.