As possíveis causas do conformismo social no Brasil
Enviada em 03/09/2024
Em 1964 o Brasil sofreu um golpe de Estado. No fim de março daquele ano, mais um presidente eleito democraticamente foi deposto do poder à força por militares, com o apoio de parcelas da sociedade civil. Esse fato resultou em 21 anos de um regime autoritário, o qual reprimia manifestações e críticas contrárias ao governo, além de instaurar políticas públicas educacionais retrógradas. Sendo assim, as con-sequências desse período ainda pulsam, mesmo décadas após a redemocratização, uma vez que as repressões deixaram raízes profundas no imaginário da população e a educação bancária, rígida e precária daquele tempo é a estrutura do ensino a-tual. Destarte, o conformismo social no Brasil é ocasionado por um projeto antidemocrático nefasto e deliberadamente arquitetado.
A intenção política por trás dos planos de governo que reproduzem os moldes da educação punitivista preconizado na Ditadura Militar, que desvaloriza o estudante e seu histórico de vida, é notória: proporcionar estado de alienação para o mante-nimento do poder. Tanto Paulo Freire quanto Darcy Ribeiro conseguiram avaliar e denunciar esses aspectos estruturantes da sociedade brasileira. O primeiro desen-volveu a pedagogia da autonomia, a qual potencializa gentilmente o estudante, seu pensamento crítico e seus saberes de base, e o segundo denunciou o fato de que a baixa qualidade da educação ofertada no país é um projeto. Dessa forma, fica evi-dente que a resignação social é imposta desde a infância aos brasileiros, visto que a realidade é mascarada por um ensino alienador e não libertador.
Por outro lado, o passado cruel de repressões e tortura oriundo dos anos de chumbo atrofia o potencial questionador do povo brasileiro. Ou seja, o imaginário coletivo imposto pelos tempos de terror aos que criticavam imobiliza aqueles que venceram as correntes da alienação e os impede de agirem. Pois os traumas sociais faz com que a sociedade associe o questionamento à tortura.
Portanto, é preciso eliminar as raízes da Ditadura Militar no Brasil. Para isso, o Es-tado deve reformular o currículo nacional da educação, através de um debate in-tersetorial com a sociedade civil, academia e políticos. Essa reforma deve estabele-cer a pedagogia da autonomia como base pedagógica comum, a fim de potenciali-zar o pensamento crítico, a democracia e erradicar o conformismo social.