As possíveis causas do conformismo social no Brasil

Enviada em 16/02/2025

A obra “Banalidade do Mal”, de Hannah Arendt, retrata a sociedade alemã durante o período nazista, de forma a destacar o comportamento do cidadão comum e sua conivência perante as atrocidades cometidas contra os judeus. Nessa perspectiva, fica evidente que mesmo as pessoas consideradas boas podem apoiar comportamentos extremamente desumanos. Logo, é importante um paralelo com o Brasil atual, onde ainda existem práticas condenáveis, mas que ainda persistem.

Diante desse cenário, vale destacar a continuação da segregação racial no país. Historicamente, após vários anos de trabalho escravo e comércio de negros vindos da África, o Brasil foi o último país a abolir a escravidão na Ámerica. Sob esse viés, milhões de ex-escravos ficaram sem moradia e trabalho, de maneira que formaram os assentamentos precários nos arredores dos grandes centros urbanos, as favelas. Nesse âmbito, se caracteriza como um dos resultados do conformismo social a permanência da segragação dessas pessoas, que ainda continuam a habitar em moradias com difícil acesso aos serviços mais básicos, como saúde, educação, rede de esgoto e e transporte público. Assim, torna-se urgente a adoção de medidas que contemplem as necessidades desses brasileiros.

Ademais, cabe salientar a ineficiência das instituições públicas em efetivar os preceitos constitucionais. Nesse sentido, o jornalista Gilberto Dimenstein cunha o termo “cidadania de papel”, no qual destaca a grande quantidade de direitos garantidos por lei, mas que, na prática, não se efetivam. Diante disso, a recorrência de crimes, desigualdes sociais e abuso de autoridade são alguns dos fatores que corroboram com a definição do escritor. Dessa forma, a população convive diariamente com atos inconstitucionais, de maneira que banaliza as mazelas da sociedade e, consequentemente, geram o conformismo social.

Portanto, é importante combater a conivência diante de tal realidade. Para tanto, o Estado deve cumprir a sua função de mantedor da ordem social, mediante a disponiblização de infraestrutura necessária em favelas, com a oferta de mais escolas, hospitais, meios de transporte públicos e saneamento básico, com a finalidade de oferecer oportunidades iguais a todos os brasileiros. Dessa maneira, as críticas apontadas por Dimenstein serão devidamente corrigidas.