As profissões do futuro e seus desafios

Enviada em 06/04/2020

Na vigência do século XIX, pós Revolução Industrial, o trabalho, antes concebido à luz da subsistência e das trocas comerciais, passou a ser, no modo de produção capitalista, pautado nos ditames do mercado. Em decorrência disso, certas profissões passaram a ser mais valorizadas em detrimento de outras. Com efeito, em um panorâma geral, a qualificação trabalhista emergiu como uma imposição da Globalização; e, cada vez mais, esse fenômeno se intensifica, destruindo profissões, que dão lugar às profissões do futuro - com novos desafios, que exigem novas adaptações.

A princípio é fundamental ponderar como o governo, na figura de responsável pela Educação, deverá se portar na nova realidade: há, gradativamente, demandas à adequação do povo às profissões do futuro que devem ser cumpridas e que passam, inevitavelmente, pela instância governamental. Isso porque, a Educação, como aparato de instrução da população e assegurada a essa pela Constituição Cidadã de 1988, adquire papel essencial para adequá-la às relações empregatícias. Segundo o Professor Pierluigi Piazzi, professor de Neuroaprendizagem, autor do livro ‘‘Aprendendo Inteligência’’, a nova seleção natural - a líbero-capitalista - impõe barreiras que têm como função selecionar indivíduos mais capacitados. Frustra constatar, porém, que tal capacitação é apenas cybernética. Ou seja, aqueles que possuem afinidade com a tecnologia se sobrepõe aos outros, de modo que o trabalhador deve saber, mais do que sua língua materna, a linguagem da programação.

Em verdade, a Inteligência Artifical (IA) tomará o posto de várias profissões, fazendo com que o povo, para não ser deixado de lado, planeje caminhos não tão usuais. A par disso, o documentário disponibilizado na Netflix, “AlphaGo”, mostra como uma empresa estadunidense conseguiu, em pouco tempo, conceber uma rede neural artificial que conseguiu jogar e dominar o jogo chinês “Go”, tido, por Bill Gates e pela comunidade científica, como o jogo mais difícil de todos os tempos. Para analistas, como os da “Gates Fundation”, a marca final, para se perceber que a Inteligência artificial estaria equiparada à inteligência humana, seria que o AlphaGo - nome dessa IA - conseguisse derrotar o campeão mundial invicto por 12 anos, Lee Sedol: e isso, de realmente, ocorreu.

De fato, as profissões do futuro, como ressaltado pelo Prof. Pier, exigirão conhecimentos cybernéticos incomuns. Diante disso, o governo, na figura do Ministério da Educação, deve, por meio de recursos financeiros e abertura de concursos públicos - semestrais -, inserir, no Ensino Fundamental e Médio, grades extra-curriculares de informática e cybernética, com professores capacitados em Tecnologia da Informação, visto que em todas as áreas o indivíduo deve possuir conhecimentos básicos para suplantar os desafios impostos, a fim de que nenhum cidadão seja deixado à margem da sociedade.