As profissões do futuro e seus desafios
Enviada em 22/02/2020
O filme “Modern Times”, de Charlie Chaplin, mostra como a inserção de máquinas em fábricas revolucionou o modo de trabalhar no início do século XX. Desde então, a tecnologia avançou em caráter exponencial, ao ponto de não ser mais possível fazer previsões sobre as profissões do futuro, visto que a velocidade de mudança é grande e novas ocupações surgem continuamente. Nesse contexto, é indispensável transformar a educação das novas gerações e impedir que a desigualdade social se acentue ainda mais no país.
A princípio, é necessário entender que as profissões do futuro serão ocupações das crianças de hoje. Sob essa ótica, o escritor Alvin Toffler apontou que o “analfabeto do século XXI é aquele que não sabe aprender, desaprender e reaprender.” Dessa forma, é imperativo se adaptar para conviver com as transformações e uma das maneiras de fazer isso é modificando os modelos de educação das crianças. Logo, é importante trazer para a escola a tecnologia, a linguagem de programação e o sistema de algoritmos. Com isso, as novas gerações já crescerão imersas nesse cenário, e, consequentemente, terão suas chances aumentadas de identificação com as novas profissões que surgirem, bem como diminuídas suas possibilidades de analfabetismo segundo o pensamento de Toffler.
Somado a isso, é primordial se atentar ao fato de que a obsolescência de antigas profissões pode acentuar o perfil desigual do país. Nesse sentido, o avanço da tecnologia e da inteligência artificial automatiza postos de trabalhos manuais como o de cobradores, por exemplo. Por conseguinte, pessoas principalmente de classes inferiores perdem seus empregos, o que caracteriza o conceito sociológico de “desemprego estrutural”. Além disso, a falta de oportunidade de capacitação para atender as novas exigências ratifica as disparidades sociais existentes e agrava a pobreza. Depreende-se, então, que é necessário ampliar as possibilidades, afinal, o Brasil é um país democrático no qual as oportunidades precisam estar ao alcance de todos.
Fica claro, portanto, que os desafios das profissões do futuro impactam a estrutura social. Por isso, para amenizá-los, o Ministério da Educação deve implementar uma educação tecnológica nas escolas. Isso pode ser feito por meio de cursos paralelos à ementa curricular, no qual técnicos de informática ensinarão as crianças a programar e criar algoritmos, a fim de se aperfeiçoar para as futuras profissões. Ademais, cabe ao SENAC - Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial - oferecer capacitação para os trabalhadores mediante cursos gratuitos que ensinem a operar sistemas de software, com vistas a melhorar os currículos e aumentar as chances de recolocação. Assim, as novas gerações ficarão mais bem preparadas e a desigualdade social não será agravada diante da remodelação de “Modern Times”.