As profissões do futuro e seus desafios

Enviada em 28/02/2020

Vocações erguidas

A verossimilhança mais marcante feita pela música ‘‘Construção’’, de Chico Buarque, é o retrato da maior parte de trabalhadores brasileiros: indivíduos desqualificados, que agem como se fossem máquinas. Nesse sentido, mesmo meio século depois, o cenário laboral do país não sofreu alterações substanciais, o que compromete a preparação verde-amarela para as possíveis profissões do futuro. Assim, é importante entender esse retrocesso trabalhista como um estímulo para atenuar essa problemática.

Em primeiro plano, a maior parte das escolas brasileiras se mostram incapazes de construir indivíduos inclusos às novas profissões. Sobre isso, o autor Leandro Karnal entende que constantes modernizações no meio educacional são a ‘‘chave mestra’’ para a construção de uma sociedade mais inclusiva e atualizada frente à globalização. No entanto, o pensamento do autor não vigora completamente no país, ao passo que baixos investimentos nessa área, evidenciado por diversas escolas sem salas de informática e de robótica, contribui para que o país continue com grande índice de cidadãos desqualificados. Dessa forma, é ilógico pensar em uma sociedade apta às novas profissões, sem que haja a devida valorização do setor educacional.

Além disso, a exclusão de diversos grupos das novas atividades laborais põe em voga a caricatura desigual da sociedade brasileira e a indiferença dos órgãos que a rege. Nessa ótica, o pensador John Locke aponta que é papel do estados preservarem e manterem um meio no qual os cidadãos possam exercer livremente seus direitos e deveres. Contudo, se os organismos governamentais do país permitem que indivíduos sejam exclusos dos novos meios de produção, fica claro a incapacidade desse setor em construir uma sociedade marcado pelo bem estar público. Logo, é de suma importância que a dupla governo e sociedade ande junta a favor da causa trabalhista e, portanto, social.

Impende, pois, que novas iniciativas sejam criadas e asseguradas, para que seja realidade no Brasil um setor trabalhista mais inclusivo e democrático. Desse modo, compete ao Ministério da Educação assegurar, na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), o estímulo à construção de feiras trabalhistas em todas as escolas do país, com direito à inclusão de tais alunos aos novos meios produtivos, como a robótica, eletrônica e nanotecnologia, a fim de consolidar um país mais igualitário no ramo laboral. Com isso, grande parte dos jovens estariam aptos a desenvolver novas vocações e, assim, seria desconstruída a crítica secular feita por Chico Buarque.