As profissões do futuro e seus desafios

Enviada em 30/03/2020

De acordo com o filósofo polonês Zygmunt Bauman, o mundo vive a modernidade líquida, em que tudo se transforma com rapidez estonteante. Nessa conjuntura, não poderia ser diferente com o mercado de trabalho: as profissões em voga nos anos 70 diferiam muito das atuais, assim como estas são certamente distintas das que surgirão nas próximas cinco décadas.  Nesse sentido, há um nicho de carreiras que deve decair em um futuro próximo, dado sua natureza de automação, que pode facilmente ser substituída por robôs e pela inteligência artificial. No entanto, há ofícios que se mantêm constantes há séculos e que se beneficiam com o avanço tecnológico.

Assim, conforme pesquisa do McKinsey Global Institute, empregos relacionados à administração, área financeira, operação de máquinas, trabalhos agrícolas e de construção devem decair consideravelmente ainda na próxima década. Mas afinal, isso significa que a sociedade do século XXI se verá de frente a um novo movimento ludista, por assim dizer? Certamente que não. Afinal, no período da Primeira Revolução Industrial, a automação era uma novidade que vinha, de forma massiva e avassaladora, em substituição à mão-de-obra humana, o que levou ao desemprego de milhares de trabalhadores a um só tempo. Entretanto, a nova conjuntura é notadamente diversa, haja vista que os empregos passíveis de serem mecanizados vem sendo substituídos por máquinas de forma bastante gradativa, enquanto que, por outro lado, a tecnologia potencializa o surgimento de outros tantos cargos. Desse modo, os trabalhadores têm tempo e meios para se adaptarem à nova situação.

Por conseguinte, profissões da área de saúde, educação e criação são beneficiadas com o desenvolvimento de tecnologias que facilitam o trabalho humano, sem substituí-lo. Isto, somado às diversas atividades que se potencializaram nos últimos anos, como gestão de redes sociais e engenharia da computação, coloca em evidência o fato de que a mão-de-obra humana não está em risco, e sim em transformação, assim como tudo o que permeia a modernidade líquida. Nessa perspectiva, para que a sociedade brasileira esteja preparada para o mercado de trabalho do futuro, o Estado deve investir nas áreas certas e incentivar os jovens a se manterem atualizados.

Portanto, a fim de garantir uma perspectiva econômica e social favorável, o governo deve se espelhar em instituições profissionalizantes que deram certo no país, como o SENAC, SENAI e IFRS, e criar um instituto voltado especialmente para a área de tecnologia com foco em criação, além de incentivar os jovens estudantes a optar por tais profissões, por meio de campanhas feitas em parceria com escolas de todo o país; afinal, profissionais que possam oferecer sua capacidade criativa para beneficiar o desenvolvimento de máquinas e de inteligência artificial serão muito requisitados no futuro.