As profissões do futuro e seus desafios
Enviada em 18/04/2020
É possível, por intermédio da linguagem simples e coloquial do poema “No meio do caminho”, de Carlos Drummond de Andrade, fazer uma analogia a respeito das profissões do futuro e seus desafios. Acerca de tal análise, pode-se ligar a pedra, presente na obra drummondiana, à crescente repercussão e manifestação da problemática no cotidiano dos brasileiros. Ainda, constata-se que o revés está atrelado não somente aos ditames do mundo contemporâneo, mas também, à inoperância estatal.
De início, irrompida em meados do século XX, a Terceira Revolução Industrial trouxe para a humanidade inúmeros avanços. Em conjunto com as inovações tecnológicas, as transformações das relações sociais se configuraram como elementos característicos dos novos tempos, os tempos líquidos, termo proposto por Zygmunt Bauman, que designa o atual estágio da sociedade contemporânea. Tais aspectos, para o bem ou para o mal, são responsáveis pela continuidade do remodelar e revolucionar, ambas inerentes às mais distintas áreas de atuação do ser humano. A exemplo, tem-se a enorme e gradual transformação no mundo do mercado de trabalho, a qual segundo o professor israelense Yuval Harari, será responsável não somente pela extinção de empregos monótonos e repetitivos, como também promoverá o surgimento de novos trabalhos.
Outrossim, pontua-se o desleixo governamental como precursor da elevação da taxa de desemprego. No livro “Ética a Nicômaco”, Aristóteles defende que a política serve para garantir o bem-estar dos cidadãos. Porém, o descaso das autoridades públicas em relação à adoção e o desenvolvimento de medidas responsáveis por combater o desemprego, fomenta a atual inadimplência do Estado em solucionar essa mazela social. Porquanto, os dados divulgados pela Universidade de Oxford, os quais apontam que 63,9% dos empregos no mundo estão ameaçados pelas novas tecnologias, exemplificam o desdém político-administrativo. Dessa forma, verifica-se a necessidade de uma reformulação nas ações político-sociais, a fim de que o axioma aristotélico retorne ao cerne dos princípios governamentais e as consequências dos acontecimentos supracitados possam ser mitigados.
Logo, para que o triunfo sobre as profissões do futuro e seus desafios seja consumado, urge que empresas, por meio dos recursos enviados pelo Estado, promovam o retreinamento maciço de profissionais, de modo a torná-los mais aptos e voláteis as novas exigências do mercado de trabalho. Ademais, essa ação deverá ser acompanhada de apoios financeiros para os trabalhadores, com o fito de minimizar as consequências do desemprego. Ainda assim, recursos deverão ser aplicados em políticas assistencialistas, de modo a assegurar uma proteção financeira aos indivíduos vítimas do desemprego. Dessarte, a pedra poderá ser removida do caminho social.