As profissões do futuro e seus desafios
Enviada em 10/04/2020
O geógrafo Milton Santos, em seus estudos, enuncia que as modificações que ocorrem no espaço geográfico e cibernético induzem mudanças na maneira com que se fazem o trabalho e as relações sociais. Analogamente, é possível perceber que as demandas advindas da globalização impuseram uma nova realidade ao mercado de trabalho, o qual cada vez mais edita o perfil de profissional que será exigido no futuro.
Primeiramente, é possível verificar que os processos globalizantes, intensificados entre os anos de 1970 e 1990, geraram novas demandas para o setor privado, o que mudou gradativamente o modelo de trabalhador solicitado. Considerando um mundo conectado, com um intenso fluxo de mercadorias e grandes corporações disputando o mercado em nível internacional, houve um aumento na competitividade entre empresas, fazendo com que elas buscassem a atualização e automatização de processos repetitivos que geravam emprego a muitos indivíduos, o que resultou na redução de gastos, elevação da eficiência e aumento nos lucros, mas em uma grande onda de demissões.
Consequentemente, a necessidade por profissionais especializados, atualizados e com habilidades comportamentais não replicáveis por sistemas computacionais, as denominadas “soft skills”, aumentou. O cientista computacional e autor de conteúdos de produtividade Cal Newport, em seu livro “Deep Work”, argumenta que a capacidade de aprender habilidades difíceis com o mínimo de tempo é quase um super-poder no contexto do século XXI. Verifica-se, portanto, que os novos trabalhadores deverão visar o desenvolvimento de uma postura de aprendizado contínuo que permita a eles a obtenção de competências técnicas e sócio-emocionais valorizadas pelo mercado, em um processo que pode mudar, com alguma frequência, a maneira com que realizam seu trabalho.
São necessárias, assim, medidas para estimular a formação de trabalhadores adaptados ao cenário dinâmico do mercado laboral contemporâneo. Para que as habilidades valorizadas pelo mundo corporativo sejam desenvolvidas em tais indivíduos, urge que o poder público, em parceira com instituições privadas, implante programas de treinamentos e recrutamento em escolas técnicas e universidades que objetivem ensinar competências sócio-emocionais e de autodidatismo a discentes jovens e adultos. Esses eventos devem utilizar um modelo de ensino voltado à resolução de problemas em equipe, no qual os alunos utilizem o conhecimento que já possuem de seus cursos para solucionarem situações através da cooperação entre eles e os professores. Dessa maneira, estaria-se incorporando práticas importantes para a adaptação de tais profissionais ao mercado laboral moderno, produto das modificações no espaço geográfico citadas por Milton Santos.