As profissões do futuro e seus desafios
Enviada em 14/04/2020
Segundo o filósofo contemporâneo Zygmunt Bauman, os trabalhadores do século XXI vivem numa constante liquidez, numa permanente incerteza e medo de serem “descartados”, posto que a mobilidade, a robotização e a flexibilidade das empresas são tamanhas que, a qualquer momento, cortes inesperados e mudanças de planos podem acontecer. A solidez das convicções, assim, foi substituída pela liquidez do instante.
Nesse contexto, o avanço da tecnologia é visto como ameaça pela classe trabalhadora. Pois a maioria dos salariados não possuem capacitação, experiências e habilidades para “competir” com a chamada “quarta revolução industrial” e o futuro mundo robotizado que viveremos.
Precipuamente, é fulcral pontuar que a falta de capacitação é o maior obstáculo para o funcionário do séc XXI. Segundo uma pesquisa feita pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), até o ano de 2023 ocorrerá um aumento de 20% das profissões ligadas a tecnologia. Por conta da falta de oportunidades para capacitação, os operários brasileiros não conseguirão manter as necessidades das indústrias sem o emprego de máquinas, que gradativamente substituirão a mão de obra manual pela robotizada . Isso acarretara em um índice altíssimo de desemprego no Brasil.
Segundo o Positivismo , filosofia de Augusto Comte do século XIX , quanto mais a tecnologia avançasse , mais o ser humano iria evoluir. No mundo atual essa filosofia não faz muito sentido. Quanto mais a tecnologia avança, mais o ser humano é deixado para trás, com a desculpa de que máquinas são mais eficientes. As grandes empresas acreditam que substituindo seus funcionários por máquinas é um modo de acelerar o trabalho e diminuir os gastos, já que não precisarão efetuar pagamento para funcionários. Porém, máquinas não possuem sentimentos e não possuem habilidades humanas de pensar. Máquinas só são programadas para exercer seu determinado papel. Por esse motivo ao invés de uma mudança radical de humanos por máquinas as empresas deveriam investir em uma relação de mutualismo entre as duas espécies, onde o conhecimento de uma, completa o trabalho da outra.
Portanto, é mister que o Estado tome providências para melhorar o quadro atual, para que no futuro os danos do avanço da tecnologia sejam minimizados.
Para que operários possam competir com máquinas e não tenham seu trabalho desvalorizado, urge que a Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho junto com o SENAI façam campanhas e cursos gratuitos de capacitação e aprendizagem, por meio de ensino à distância ou presencial, com horários flexibilizados de acordo com sua disponibilidade. Só assim a classe operária poderá viver sem o medo de serem “descartados” e consolidar novamente a solidez das convicções.