As profissões do futuro e seus desafios
Enviada em 19/04/2020
Desde a Primeira Revolução Industrial, que aconteceu no século XVIII, a tecnologia e as mudanças de comportamento da população têm causado drásticas transformações nas relações de trabalho. Com o advento das Tecnologias de Informação, as demandas da população e do mercado têm causado o surgimento de novas profissões e a redução de oportunidades para outras. Faz-se essencial discutir esse cenário e compreender seus impactos na inserção de jovens nas atividades econômicas e os desafios para a mão de obra menos qualificada.
É preciso, primeiramente, considerar como as mudanças da dinâmica de trabalho afetam os jovens em idade estudantil. Segundo relatório do Fórum Econômico Mundial, mais da metade das crianças de até 7 anos trabalharão em emprego que não existem ainda. Esse cenário de incerteza é dissonante com a realidade da maioria da população jovem, que não é aconselhada adequadamente sobre a escolha da profissão no âmbito familiar ou escolar. Devido a falta de preparo para tal, a família e os educadores costumam aconselhar com base nas relações tradicionais de trabalho, das quais têm mais conhecimento. Por causa disso, observa-se no Brasil, por exemplo, uma contradição entre o alto número de desempregados e de vagas ofertadas, em especial nas áreas de tecnologia.
Ademais, as rápidas transformações no mercado de trabalho representam uma vulnerabilidade para a parcela menos qualificada da população, em especial os informais, que têm seus empregos ameaçados pela perspectiva da automação. Segundo reportagem da Revista Exame, a Uber, aplicativo de caronas que é fonte de renda para muitos trabalhadores informais, por exemplo, aposta na substituição dos motoristas cadastrados por carros autônomos, como parte da busca por um modelo de negócios mais lucrativo. Essa conjuntura deve servir de alerta para o Brasil, que, de acordo com o IBGE, tem mais de 38 milhões de trabalhadores informais. As autoridades devem buscar uma forma de auxiliar esse público na busca por qualificação profissional, de modo a oferecer maior estabilidade para que estes possam se adaptar às nova condições do mercado de trabalho.
Faz-se necessário, portanto, agir para amenizar os efeitos negativos dessas novas transformações. Para isso, o Ministério da Educação pode investir em campanhas de orientação para os estudantes, por meio de palestras com profissionais de aconselhamento de carreira ou feiras de profissões nas escolas, de modo a melhor preparar o corpo discente para decidir sobre seu futuro profissional. Além disso, o Governo Federal deve dar mais segurança financeira para os trabalhadores informais, por via de uma renda básica vinculada à programas de qualificação. Assim, será possível dar início a uma nova Revolução, em que a tecnologia sirva ao bem comum e beneficie a todos igualmente.