As profissões do futuro e seus desafios
Enviada em 20/04/2020
Desde a Primeira Revolução Industrial, que aconteceu no século XVIII, a tecnologia e as mudanças de comportamento da população têm causado drásticas transformações nas relações de trabalho. Com o advento das Tecnologias de Informação, as novas demandas do mercado têm causado o surgimento de novas profissões e a redução de oportunidades para outras. Faz-se essencial discutir esse cenário e compreender seus impactos na inserção dos jovens nas atividades econômicas e no futuro da educação que vise a qualificação profissional.
É preciso, primeiramente, considerar como as mudanças das dinâmicas de trabalho afetam os jovens em idade estudantil. Segundo relatório do Fórum Econômico Mundial, mais da metade das crianças de até 7 anos trabalharão em empregos que não existem ainda. Esse cenário de incerteza é dissonante com a realidade da maior parte da população jovem, que não é aconselhada adequadamente sobre a escolha da profissão no âmbito familiar ou escolar. Devido à falta de preparo para tal, as famílias e os educadores costumam aconselhar com base nas relações tradicionais de trabalho, das quais têm mais conhecimento. Por causa disso, parte dos estudantes tende a buscar carreiras onde há menos espaço para inovação, o que pode acarretar no aumento do número de desempregados no futuro.
Ademais, as rápidas transformações no mercado de trabalho exigem melhoria no sistema educacional, em especial o público. Com o crescimento das tecnologias de automação e inteligência artificial, carreiras que exigem menos qualificação tendem a perder espaço. Segundo reportagem da Revista Exame, por exemplo, a Uber, aplicativo de caronas que é fonte de renda para muitos trabalhadores informais, aposta na substituição de motoristas por carros autônomos na próxima década. Essa conjuntura deve servir de alerta para o Brasil, que, de acordo com o IBGE, tem mais de 38 milhões de trabalhadores informais, parcela da força de trabalho que tem pouco acesso a programas de qualificação e educação formal, visto que possuem renda média menor que a média nacional.
Faz-se necessário, portanto, agir para amenizar os efeitos negativos dessas novas transformações. Para isso, o Ministério da Educação pode investir em campanhas de orientação, por meio de palestras com profissionais de aconselhamento de carreira ou feiras de profissões nas escolas, de modo a melhor preparar o corpo discente para decidir sobre seu futuro profissional. Além disso, essa entidade deve investir na ampliação de cursos técnicos e tecnólogos voltados para a população adulta, de modo a melhor qualificar a força de trabalho. Assim, esses públicos poderão participar de uma nova Revolução, em que a tecnologia sirva ao bem comum e beneficie a todos de maneira igualitária.