As profissões do futuro e seus desafios
Enviada em 28/04/2020
Receia-se que, num futuro próspero, o trabalho intelectual seja substituído por inteligência artificial, o que poderá implicar na condenação de milhares de pessoas ao desemprego e de certos profissionais ao ostracismo. Isso porque o que se convencionou chamar como ’era dos aplicativos’ facilitou sobremaneira a forma de prestação de serviços convencionais, gerando, pois, uma tendência em todas as áreas de mercado e desenvolvimento humano.
O resultado dessa mudança de paradigma pode ser facilmente verificado na constante busca por qualificação profissional de pessoas recém formadas, a fim de alimentar o seu currículo e torná-los diferenciados no disputado mercado das relações de emprego.
Contudo, o cenário sociológico, notadamente no Brasil, evidencia que grande parte da população sequer concluiu o ensino médio e sobrevive na informalidade. Tais pessoas, a toda evidência, serão solapadas pela inteligência artificial naquilo que esta lhes sobrepujar, o que torna o receio inicial apontado acima como algo verdadeiramente concreto.
Deveras, esta mão ‘visível’ do mercado, parafraseando Adam Smith, deve sofrer censura por parte dos governantes. Com efeito, sob pena de concentrar riquezas nas mãos de poucos e promover a miséria, quiçá a morte, de muitos, é dever do Estado interferir na economia, por meio dos instrumentos legais que possui, com vistas a evitar o colapso que pode ser gerado pela adoção indiscriminada da inteligência artificial.
Sendo assim, há que se lançar mão de mecanismos de ponderação e harmonia de valores, evitando que a inteligência artificial possa substituir o homem nas mais comezinhas tarefas humanas remuneradas, deixando-a exclusivamente para um terreno técnico em que venha para agregar, e não para comprometer a própria subsistência da raça humana.