As profissões do futuro e seus desafios
Enviada em 30/05/2020
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, um corpo social isento de problemas é retratado. Fora da ficção, o Brasil encontra-se em um campo hodierno que dificulta a inserção de novas profissões no mercado de trabalho, intrinsecamente relacionada à realidade do país, seja pela má influência midiática, seja pela insuficiência nas leis. Tendo isso em vista, torna-se valiosa a discussão sobre essa temática.
Primordialmente, é importante destacar que, o silenciamento da mídia caracteriza-se como complexo dificultador para a valorização e inclusão de profissões do futuro na sociedade. Conforme Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Nessa perspectiva, é possível perceber que a mídia - em especial os grandes veículos e informação - configura-se como opressora ao não trazer a pauta dos ofícios que serão tendência nos próximos anos, privando essa informação e oportunidade para um país que possui taxa de desemprego acima de 12% segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), limitando desta feita, a geração de empregos e o crescimento da economia nacional. Assim, trazer esse tema à tona e debatê-lo amplamente nos canais de comunicação é essencial.
Ademais, outra dificuldade enfrentada é a insuficiência nas leis. De acordo com o Filósofo John Locke, “as leis fizeram-se para os homens e não para as leis”, ou seja, ao ser criada uma lei é preciso que ela seja planejada para melhorar a vida das pessoas em sua aplicação. No entanto, observa-se que a legislação não tem sido suficiente para garantir a acessibilidade à essas profissões inovadoras, haja vista que não há leis trabalhistas especificas e associações que defendam os direitos teoricamente assegurados pela Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Portanto, faz-se necessária uma intervenção pontual no problema. Desse modo, cabe ao Governo Federal, em conjuntura com o Ministério do Trabalho, promover ações que solucionem a questão. Tais ações devem ocorrer nas redes sociais, por meio de palestras ministradas por especialistas da área capacitados, como programadores, que falem sobre o funcionamento e importância dessas profissões, visando transmitir informação e estimular o surgimento de novos profissionais no Brasil. É possível, também, a criação de uma hashtag para identificar a campanha, com objetivo de ganhar mais visibilidade e gerar essa discussão, além de permitir espaço para troca e experiências e sugestões. Dessa forma, é viável a construção de uma sociedade como a idealizada por More.