As profissões do futuro e seus desafios

Enviada em 04/05/2020

O nascimento das corporações de ofício e das guildas comerciais trouxe, na sociedade europeia da Baixa Idade Média, a divisão do trabalho nos burgos, marcando, desde então, a intensificação do dinamismo urbano e comercial, sustentada pelas relações de trabalho. Não obstante, percebe-se, no Brasil, um atraso, no currículo escolar, no ensino das novas tecnologias e habilidades humanas, levando ao desnivelamento, em relação aos países ricos, de inovação tecnológica e, portanto, prejudicando as profissões do futuro em “terras tupiniquins”. Faz-se, desta forma, premente a análise desse quadro.

De acordo com o filósofo e educador Paulo Freire, há dois tipos de educação: a “educação bancária”, unidirecional e conteudista, e a “educação libertadora”, mais dinamizada e humanitária. Sob tal ótica, é possível notar que a abordagem difundida, nos meios escolares, alavanca uma educação mais tradicional, não valorizando a independência e o dinamismo das relações humanas, contrastando com as novas formas de trabalho que emergiram desde a Quarta Revolução Industrial. Tais formas de trabalho, ligadas ao ramo do setor de informação aliado ao empreendedorismo, segundo levantamento da rede social “LinkedIn”, vão representar 13 de 15 dos cargos do mercado brasileiro, marcando, desta forma, a importância de repensar-se em uma nova forma de educação.

Ainda resgatando os conceitos do pedagogo, nota-se, além disso, o despreparo alarmante dos jovens brasileiros frente às novas relações de trabalho, as quais valorizam a formação múltipla e contínua, adaptação, autoaprendizado e novas tecnologias, tais como os softwares de processamento de dados. Tal fenômeno ocorre devido ao ininterrupto ritmo de mudanças e inovações tecnológicas que sucede no mercado de trabalho, criando e destruindo novos empregos, ao passo que a educação permanece na obsolescência tradicional desde o início do século XX, não sendo capaz, portanto, de preparar as pessoas para a vida, conceito para a educação tão defendido pelo polímata Rui Barbosa.

Desta forma, faz-se mister o emprego de medidas exequíveis na resolução de tal inercial problemática. Assim, o Estado, com o fito de implementar a adaptação da educação com as novas relações de trabalho, representado pelo Ministério da Educação, deve empregar uma campanha nacional de reestruturação do currículo escolar, por meio da adição de disciplinas voltadas ao desenvolvimento pessoal, emocional, de habilidades de comunicação e de habilidades tecnológicas. Estas disciplinas serão inseridas no Ensino Médio, podendo aliá-las a visitas em empresas e “startups”, incentivando, desta forma, a formação multidisciplinar do jovem. Somente desta forma será possível acompanhar as tendências das profissões do futuro.