As profissões do futuro e seus desafios

Enviada em 14/05/2020

Segundo a Constituição Federal de 1988, é garantido a todo e qualquer indivíduo o direito à dignidade e ao trabalho.Entretanto, tal plano teórico não se aplica totalmente à realidade brasileira, uma vez que há desafios nas profissões do futuro.Nesse contexto, é importante analisar que parte da população tem suas garantias constitucionais violadas, isso sendo consequência da negligência governamental, somada à má formação escolar, o que dificulta a atenuação da problemática.

A priori, observam-se algumas distorções governamentais no cumprimento de seus deveres e, especificamente, em garantir oportunidades de trabalho para toda a população.Nesse viés, de acordo com o filósofo Thomas Hobbes, em sua teoria contratualista, os indivíduos de uma sociedade abrem mão de parte de suas liberdades e delegam funções ao Estado, a fim de atingir o equilíbrio social.Sob essa perspectiva, o governo falha à medida que não investe, suficientemente, na abertura de vagas em faculdades públicas e na criação de cursos técnicos que, possuam como objetivo, democratizar a obtenção de qualificações necessárias para as profissões do futuro.Logo, esse cenário de negligência corrobora para a exclusão do trabalhador sem especialização, já que os empregos encontram-se progressivamente mais interligados aos setores de tecnologia como redes sociais e design gráfico.

A posteriori, segundo um estudo produzido pela ONG Ação Educativa e o Instituto Paulo Montenegro, em 2018, cerca de 29% da população era considerada analfabeta funcional.Nesse ínterim, o filósofo Theodor Adorno apontou, como possibilidade sociológica, uma pedagogia para autonomia, a fim de desenvolver o domínio pleno do conhecimento e o senso crítico do indivíduo.Nessa conjuntura, o tecido educacional é ineficaz em fomentar, no aluno, uma capacidade de refletir sobre as constantes mudanças no mercado de trabalho, como robotização de processos industriais e a substituição de empregos que dependem da manufatura.Portanto, grande parte da população demonstra-se alienada quanto ás modificações das profissões e, além disso, a má formação escolar e a falta de qualificação dificultam a obtenção de ofícios especializados e bem remunerados, o que favorece a desigualdade.

Dessa forma, é dever do Estado, mediante o cumprimento de seus deveres previstos na carta magna, desenvolver medidas capazes de mitigar a problemática.Por conseguinte, cabe ao Ministério da Educação, por meio do financiamento de palestras feitas por gestores de carreiras, proporcionar para as escolas orientações acerca das profissões do futuro e, ainda, das especializações que serão mais necessárias.Com o propósito de florescer o senso crítico do aluno e prepara-ló para os desafios das modificações no mercado de trabalho, uma vez que alguns ofícios tradicionais, como atendentes e funcionários “braçais”, poderão ser substituídos por processos robotizados.