As profissões do futuro e seus desafios

Enviada em 18/05/2020

A Revolução Técnico-Científico-Informacional promove a introdução de novas formas de relações sociais cotidianamente. No viés do trabalho, não é diferente: a internet, produto desse período, coloca-se diante do mercado ao possibilitar diferentes horizontes profissionais. Portanto, faz-se necessário analisar os aspectos que direcionam o futuro a esse caminho e propor soluções condizentes com a realidade brasileira.

Em um primeiro plano, cabe destacar que as mudanças nos meios de produção das sociedades ocorrem dialeticamente. Por isso, de acordo com o economista Karl Marx, os modelos de servidão se reinventam. Em consonância, o teórico David Harvey aponta que, no capitalismo, a demanda por profissionais capacitados é parte da estruturação liberal e, consequentemente, provocada por constantes rupturas. Nesse sentido, o avanço da internet e suas especificidades para a economia deve ser compreendido como um fenômeno cujo papel fundamental é fortalecer as estruturas capitalistas de exploração do trabalhador.

Sob outro prisma, é imperativo considerar que a atual situação econômica do país, representada pela alta taxa de desemprego, provoca a migração de muitos profissionais para a informalidade. À luz disso, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que cerca de 40% dos trabalhadores brasileiros são informais. Dentro desse aspecto, o estudo sociológico da uberização observa que, motoristas de aplicativo e entregadores de comida, por exemplo, utilizam as redes para garantir renda. Desta maneira, verifica-se que as novas atividades laborais permeiam a incerteza. Como guia, a Constituição Federal assegura o direito ao trabalho enquanto cidadania. Neste caso, infere-se que é papel dos governantes mediar o impasse.

Torna-se evidente, então, que medidas são necessárias para superar os desafios propostos pelas profissões do futuro. Cabe ao Poder Legislativo regularizar os labores que emergem do meio digital, por meio da inclusão de uma cláusula constitucional, que vise garantir os direitos previstos a essas pessoas, como a definição de carga horária. Espera-se que, com tal iniciativa, o Brasil ganhe destaque no meio Científico-Técnico-Informacional como protetor de seus trabalhadores.