As profissões do futuro e seus desafios
Enviada em 23/05/2020
Países como os Estados Unidos já fazem investimentos massivos em um método educacional chamado S.T.E.M. (em tradução livre para o português, ciência, tecnologia, engenharia e matemática). Tal mecanismo visa, por meio do contato com as áreas que compõe seu nome, preparar seus estudantes para um ambiente pessoal e profissional integrado com o mundo digital. Dessa forma, é inegável que no futuro haverá novas profissões, as quais trarão desafios. Destes, destacam-se a adaptação da regulamentação trabalhista e a acessibilidade, pelas classes sociais menos favorecidas, a estas novas carreiras.
Primeiramente, é essencial ressaltar que a legislação como um todo ainda não se adequou ao advento da rede mundial de dados. A exemplo da Lei Geral de Proteção de dados (LGPD) que ainda não está vigente, aproximadamente trinta anos depois da popularização da internet. E este atraso também ocorre no âmbito trabalhista, devido à lentidão em reconhecer as novas profissões em ascensão, como os influenciadores digitais, que atuam sem amparo legal. Em conclusão, faz-se evidente a carência de uma abordagem jurídica mais eficaz.
Ademais, outro empecilho é relevante: a dificuldade de conexão das camadas sociais subqualificadas com o contexto tecnológico que possibilita as profissões do futuro. Isso é mais claro quando observa-se que, em 2018, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de um quarto da população brasileira não tinha acesso à internet. Outro exemplo é o alto custo das ferramentas tecnológicas essenciais para a performance da maioria dos ofícios ainda vindouros, que custam, frequentemente, dezenas de salários mínimos. Logo, entende-se que as inovações laboriais podem excluir as classes mais desfavorecidas.
Infere-se, portanto, que o Governo Federal, na imagem do Poder Legislativo deve dinamizar a criação e o sancionamento de leis que versem sobre o caráter das carreiras futuras atreladas à tecnologia. Tal aceleração deve ocorrer por meio da criação de comissões especiais que deliberem exclusivamente sobre o tema, a fim de, enfim, contemplar as mudanças sociais. Isso porque o ritmo das casas legislativas é lento e burocrático. Além disso, o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) deve fomentar o desenvolvimento de produtos necessários para a concretização da capacitação tecnológica por parte de empresas privadas. Destarte, o Brasil poderá se tornar competitivo, no mercado de trabalho, diante de potências mundiais que investem em educação tecnológica especializada.