As profissões do futuro e seus desafios
Enviada em 04/06/2020
Atualmente, o mundo presencia a chamada Quarta Revolução Industrial, marcada pelo intenso uso de tecnologias e inovações. Nesse contexto estão ocorrendo modificações em diversos setores da sociedade, principalmente na forma de se trabalhar com essas novas tecnologias. Entretanto, o Brasil enfrenta deficiências na área de inovações e desafios na integração da população a essa nova realidade. Dessa forma, o desdobramento das profissões do futuro esbarra no atraso técnico científico brasileiro.
Em primeira análise, a falta de inovações tecnológicas impõe uma barreira para expansão de serviços mais modernos. Como relatado no Censo Escolar de 2018, em que apenas 44% das escolas do país possuem laboratório de ciências. Tal fato se deve ao baixo investimento brasileiro em educação, pesquisas e projetos de tecnologia de ponta. Somado a isso, infraestrutura moderna de transportes e telecomunicações são essências para as profissões futuras e no Brasil ainda se encontram escassas ou com baixa qualidade. Assim, o país se manterá na retaguarda da exploração dos benefícios das profissões do futuro.
Junto a isso, cabe ressaltar a problemática envolta dos trabalhadores menos qualificados, que perderão seus empregos com a mecanização dos serviços mais braçais e cotidianos. Esse fenômeno chamado de Desemprego Estrutural pode agravar ainda mais a desigualdade social. Como ilustrado no universo ficcional pela obra “Fogo Morto”, de José Lins do Rego, que retrata a industrialização do Nordeste. Nesse livro, a substituição dos engenhos por uma usina mais moderna traz profundas mudanças sociais e econômicas à região, como a desocupação de vários personagens. Desse modo, sem um planejamento prévio da modernização na força produtiva os trabalhadores com menor escolaridade serão os mais atingidos.
Em suma, a fim de amenizar os desafios das profissões do futuro, o Estado deve atuar. Esse agente necessita dinamizar o ensino nas escolas e universidades, de modo a preparar melhor os jovens que entrarão no mercado de trabalho futuramente. Tal medida deve ser realizada pelo MEC, com atualização da BNCC com aulas sobre robótica, empreendedorismo e também incentivos à formação de novos tecnopolos. Concomitantemente, é necessária a criação de projetos que melhor qualifiquem a população já economicamente ativa. Com efeitos, o Brasil ganhará destaque internacional na produção científica e integrará sua população ao mundo de trabalhos mais dinamizados.