As profissões do futuro e seus desafios
Enviada em 31/05/2020
“Vive-se com a angústia de não se estar fazendo tudo o que poderia ser feito”. A máxima, do filósofo Byung Chul-Han, sintetiza a pressão exercida sobre os indivíduos que tentam ingressar no mercado de trabalho, o qual exige, cada vez mais, excelência e domínio tecnológico dos candidatos. Contudo, muitos jovens não estão preparados para a nova realidade de trabalho, além do fato de a maioria dos brasileiros não ter a oportunidade de competir por vagas em carreiras promissoras. Nesse contexto, cabe analisar quais desafios as profissões do futuro enfrentam, no Brasil.
Inicialmente, observa-se que o desenvolvimento tecnológico acarretou transformações nas formas de trabalho, as quais exigem a adaptação dos indivíduos. Todavia, grande parte dos jovens não está apta para essas mudanças, uma vez que o sistema de ensino brasileiro não estimula a descoberta das habilidades dos estudantes. Tal fato foi analisado por Paulo Freire, segundo o qual os alunos são passivos, simplesmente recebem as informações sem formarem senso crítico e interesse pelos estudos. Com isso, uma geração de alunos atinge a idade de escolher uma carreira sem saber quais são as suas vocações e o que querem fazer. Assim, o mercado de trabalho apresenta uma escassez de mão de obra qualificada.
Pontua-se, ainda, que a maioria dos brasileiros não tem a oportunidade de escolher sua profissão. Isso ocorre porque essa parcela da população, além de não ter acesso à educação de qualidade, geralmente, precisa abandonar os estudos desde a infância para trabalhar em subempregos, com o intuito de ajudar sua família no sustento da casa. Essa realidade foi questionada pelo sociólogo Florestan Fernandes, o qual afirma não haver incentivo para a educação dos pobres no Brasil. Dessa forma, apesar de haver indivíduos de mentes brilhantes, com alto potencial para as chamadas profissões do futuro, esses não têm a chance de desenvolverem seus talentos e ascenderem financeiramente.
Nota-se, portanto, que há muito potencial para as profissões do futuro, no Brasil, porém, há, também, obstáculos a serem superados. Para isso, cabe ao Ministério da Educação melhorar o aprendizado, permitindo que as escolas criem novas metodologias de ensino, as quais despertem maior interesse dos alunos e os estimulem a descobrirem suas habilidades, por meio de atividades práticas as quais simulem as profissões, a fim de que os alunos se tornem profissionais de excelência. Concomitantemente, o Governo deve investir na educação pública de qualidade, por intermédio do envio e da fiscalização de verbas aos estados, para que esses apliquem o dinheiro na melhoria, tanto da infraestrutura,quanto da qualidade do ensino, com o fito de manter os alunos estudando.