As profissões do futuro e seus desafios

Enviada em 07/06/2020

O sociólogo Karl Marx defende, a partir do conceito de “Materialismo-Histórico”, que o anseio pelo acúmulo de capital molda a sociedade, o que, consequentemente, transforma a educação e o emprego. Infelizmente, é evidente que essa proposta, no Brasil, é deturpada, uma vez que as novas exigências profissionais e a ultrapassada estrutura socioeducacional coexistem, o que dificulta a devida capacitação dos futuros profissionais. Esse cenário nefasto ocorre tanto pelo descaso para com a ciência, quanto pela negligência emocional. Perante isso, são necessárias ações psicopedagógicas em prol não só da competitividade financeira, mas também do desenvolvimento social.

Nesse sentido, é importante destacar que, em meio a um cenário marcado pela informática, a diminuta abordagem desta no ensino dificulta a inserção de indivíduos no mercado laboral. Nessa perspectiva, em 1945, com o início da Segunda Guerra Mundial, o desenvolvimento da robótica suscitou a supervalorização do conhecimento tecnológico em detrimento da tradicional mão de obra. No entanto, mesmo no século posterior ao da Grande Guerra, a ciência e a programação ainda são pouco abordadas nas escolas. Logo, é inquestionável que a educação brasileira tramita, historicamente, de forma retrógrada em relação ao cenário internacional, por vilipendiar a tematização dos assuntos inerente à hodiernidade, os quais são fundamentais na formação dos futuros trabalhadores.

Ademais, é necessário ressaltar que, tendo em vista o recrudescimento das psicopatologias associadas a superexploração capitalista, os transtornos mentais restringem a atuação de profissionais. Nesse viés, o filme interativo “Bandersnach” da série “Black Mirror” narra a história de Fionn, um jovem desenvolvedor de jogos que, após ataques de ansiedade e depressão devido ao estresse no trabalho, interrompe a produção de seu projeto, perde seu emprego e comete suicídio. Semelhantemente, as perenes exigências mercantilistas, características da atual meio competitivo, são, indubitavelmente, promotoras de sequelas físicas e psicológicas, já que favorecem  doenças psicossomáticas, as quais são empecilhos para a plena atuação dos operários.

Destarte, ante um contexto social que estimula a capacitação tecnológica e que necessita, cada vez mais, de resistência mental, urgem ações educacionais e psicológicas. Para isso, é fulcral que o Ministério da Educação, promova a erudição quanto à tecnologia e ao conhecimento intrapessoal, o que deve ocorrer por intermédio da ressignificação dos conteúdos, os quais devem ser contextualizados a partir da inserção da tecnologia nas aulas, além de tematizar as psicopatologias, com o fito de desenvolver, qualitativamente, os futuros profissionais. Assim, alcançar-se-á, de fato, uma sociedade competente quanto a economia, como teoriza Karl Marx, por estar adaptar as exigências modernas.