As profissões do futuro e seus desafios
Enviada em 28/06/2020
O Pequeno Príncipe, em suas viagens interplanetárias no início do livro de Saint-Exupérit, encontra um solitário acendedor de lampiões que dedica a sua vida à tarefa de acender um único lampião durante as noites e apagá-lo ao nascer do sol, os dias no minúsculo asteroide em que habita, porém, têm a duração de ínfimos segundos e, por isso, ele nunca consegue descansar. A referida profissão seria tão inútil fora da ficção quanto o é em um asteroide com somente um habitante, trata-se de uma ocupação que desapareceu com o invento da iluminação pública elétrica e se tornou obsoleta. Nessa perspectiva, o avanço tecnológico é o principal responsável pelo fenômeno de desaparecimento de profissões, conhecido por “desemprego estrutural”, agravado imensamente no Brasil pelo sistema educacional precário e estagnado, incapaz de adaptar-se às novas demandas do mercado de trabalho e, consequentemente, incapaz de preparar os jovens para esse futuro de constante desenvolvimento.
Primeiramente, desde a Segunda Revolução Industrial, tem-se o avanço do capitalismo com a automatização dos processos industriais e a substituição da mão de obra humana como consequência. Ao passo que a substituição ocorre, as pessoas, anteriormente encarregadas da execução de processos mecânicos e repetitivos, tornam-se desnecessárias e suas ocupações, obsoletas. Essas profissões desnecessárias, como a do acendedor de lampião, aos poucos desaparecem e os profissionais perdem seus empregos, o chamado desemprego estrutural, intensificado a partir da Revolução Técnico-Científica-Informacional que faz este exército de mão de obra reserva ainda maior.
Ademais, tal realidade de muitos profissionais brasileiros não é apenas criada pela obsolescência de suas ocupações, mas também de sua educação. O sistema educacional brasileiro é extremamente defasado em relação às descobertas científicas, e, por isso, ineficaz na preparação dos estudantes para as novas necessidades do mercado. Um exemplo claro dessa defasagem é o estudo, ainda existente no Ensino Médio, do mesossomo, uma suposta organela bacteriana que auxiliaria no processo de respiração celular. Entretanto, sabe-se desde a década de 70 que a estrutura não existe, era na realidade um defeito da antiga preparação do material a ser observado no microscópio.
Portanto, a educação ineficiente juntamente com o desenvolvimento tecnológico implacável fazem a reestruturação do currículo escolar imprescindível para o combate do desemprego ascendente. O Ministério da Educação deve basear essa reestruturação no objetivo de produzir um sistema educacional adaptado à realidade atual, em que as mudanças e descobertas são constantes, com aulas específicas de atualidades, para que as novas gerações sejam capacitadas para as profissões do futuro e o exército de reserva desapareça à proporção que o estado de pleno emprego é alcançado.