As profissões do futuro e seus desafios
Enviada em 25/06/2020
O advento da Revolução Industrial – ocorrido ainda no século XVIII – trouxe consigo o surgimento de inovações tecnológicas e de maquinarias, ferramentas essas, que se tornaram responsáveis por modificar as formas de trabalho existentes na época. Na conjuntura hodierna, por sua vez, a influência da globalização e o emprego de novas técnicas científicas no universo laboral tem se tornado cada vez mais intensa, fazendo surgir um significativo debate acerca das profissões do futuro e seus desafios. Diante disso, é plausível a realização de uma análise crítica acerca dos impactos da problemática para a nação brasileira.
A princípio, verifica-se que o acelerado avanço técnico-científico presente na contemporaneidade atua como um dos principais fatores motivadores do impasse. Consoante o sociólogo Zygmunt Bauman, a sociedade hodierna encontra-se imersa em uma época de modernidade líquida, em que, devido a globalização, as necessidades do tecido social foram modificadas, fazendo surgir um conjunto de novas precisões. Assim, nesse contexto de constantes modificações, as profissões que antes eram imprescindíveis ao suprimento das demandas sociais, têm perdido seu espaço na atualidade, em detrimento do surgimento de novos ofícios que visem atender as transformações do homem moderno. Por conseguinte, tem-se que cerca de 65% das crianças brasileiras que estão no ensino básico, irão exercer alguma profissão que ainda não existe, conforme relatório do Fórum Econômico Mundial.
De outra parte, ocorre que o surgimento das profissões do futuro pode representar um significativo desafio para a economia nacional. A esse respeito, o consultor de carreiras e especialista em conflito de gerações, Sidnei Oliveira, afirma que, a intensa implementação de tecnologias no ambiente laboral resulta em uma automação das atividades, fazendo com que, em muitos cargos vigentes, a presença do indivíduo seja dispensável. Sob essa perspectiva, nota-se que o desaparecimento de uma parcela dos ofícios hodiernos tende a propiciar um desemprego em massa, acarretando em uma crise econômica nacional e prejudicando o desenvolvimento do país enquanto nação.
É evidente, portanto, a urgência em estabelecer políticas que visem uma inserção segura das profissões do futuro no Brasil. Destarte, cabe ao Estado, por meio do Ministério da Cidadania, o monitoramento dos níveis de demissões em funções existentes e consideradas em risco de desaparecimento. A partir desse monitoramento, deve-se disponibilizar, gratuitamente, cursos profissionalizantes para trabalhadores desses setores de risco e que se enquadram nos critério de vulnerabilidade social do Governo Federal. Por sua vez, tais cursos irão abranger áreas de atuação consideradas promissoras em meio a essa infinidade de novas profissões que surgirão.