As profissões do futuro e seus desafios

Enviada em 17/06/2020

Com o advento da Revolução Industrial, na Inglaterra setecentista, a relação do Homem com o trabalho mudou abruptamente. Nesse cenário, os ofícios, até então realizados de forma artesanal, passaram a ser realizados de forma industrial, com objetivos e horários predeterminados pelos líderes das fábricas. Sob esses mesmo prisma, observa-se, na contemporaneidade, grandes modificações nas maneiras de trabalhar, como ocorreu na Revolução Industrial, devido, em grande parte, à “Revolução 4.0”- conceito desenvolvido pelo economista alemão Klaus Schwab, que denota a alta do uso da tecnologia na sociedade, principalmente depois da Segunda Guerra Mundial. Por conseguinte, profissões estão desaparecendo, o chamado “desemprego estrutural”, e as ocupações tendem a ser mais dinâmicas, tornando as decisões de longo prazo mais difíceis.

A priori, deve-se considerar os altíssimos índices de desemprego no Brasil: 12,9 milhões de pessoas, no ano de 2019, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Essa condição ocorre, em muitos casos, devido ao “desemprego estrutural” -de acordo com o livro “Desemprego estrutural: suas  causas e exemplos” , da economista estadunidense Kimberly Amadeo- em que muitas profissões, por  consequência da robotização, vão desaparecendo. Dessa maneira, urgem-se necessárias medidas governamentais que instruam a população acerca do “desemprego estrutural”, visto que coibi-lo poderia estagnar o avanço tecnológico em diversas áreas, para que essa mazela seja reduzida na sociedade.

Ademais, alterações comportamentais da sociedade têm modificado a conjuntura do trabalho contemporâneo. À vista disso, as ideias a respeito da “Sociedade Líquida”, cunhadas pelo filósofo polonês Zygmunt Bauman, nas quais afirma-se que as previsões futuras tendem a tornar-se cada vez mais imprecisas, devido a constante dinamização da sociedade, evidencia o surgimento de novas profissões, assim como expõe a pesquisa realizada pelo Fórum Econômico Mundial, que chegou a conclusão que 65% das atuais crianças trabalharão em empregos ainda não existentes, alterando radicalmente a atual estrutura, e, a partir disso, uma reformulação na formação de futuros empregados.

Portanto, é indubitável que a relação da humanidade com o trabalho está alterando-se vigorosamente. Dado isso, faz-se necessário que o Ministério da Educação empregue aulas, nas escolas públicas de todo o país, a respeito das mudanças dentro do mercado de trabalho, por meio de aulas interdisciplinares entre as matérias de Geografia e Sociologia, com o intuito de expor o desemprego estrutural e debater sobre profissões do futuro, gerando uma maior compreensão nos alunos em explorar as novas formas de trabalho do século XXI. Destarte, os profissionais do futuro padeceriam menos do “desemprego estrutural e compreenderiam melhor o mundo contemporâneo.