As profissões do futuro e seus desafios

Enviada em 21/06/2020

A chamada Revolução Industrial 4.0, em curso atualmente, promoverá o surgimento de novas profissões e extinguirá algumas outras. O benefício social dessa transformação só se concretizará se compreendermos e nos prepararmos paras os desafios dela decorrentes. Assim, o desenvolvimento de novas habilidades comportamentais pelos futuros profissionais, bem como a manutenção do significado social do trabalho é de fundamental importância nesse processo.

De fato, a Revolução Industrial 4.0 - viabilizada pelo avanço da Inteligência Artificial, acabará com funções meramente mecânicas e operacionais, fazendo surgir novas profissões vinculadas, sobretudo, à tecnologia da informação. Mas há algo a se dizer sobre essas profissões do futuro - embora não saibamos muito bem quais serão; há consenso entre os especialistas de que mais importante que as habilidades técnicas, serão as habilidades comportamentais exigidas. A criatividade e a capacidade de adaptação são habilidades desejáveis frente a um cenário de grande incerteza como este. Nesse sentido, o filósofo e historiador israelense, Yuval Noah Harari, em seu livro “21 lições para o Século 21”, nos alerta para o perigo de termos uma “geração de inúteis”, caso não haja o devido preparo na transição para essa nova fase da história da humanidade. Desta forma, é necessária uma mudança de paradigma na preparação desses futuros profissionais, promovendo o equilíbrio entre os conhecimentos técnico e as habilidades comportamentais.

Outro desafio a ser enfrentado diz respeito ao significado que o trabalho poderá assumir em relação ao indivíduo. Segundo Karl Max, sociólogo alemão, a Revolução Industrial, em sua primeira fase – Século XVIII, promoveu a alienação do trabalhador ao segmentar todo o processo de produção, pois retirou-lhe a ideia de autoria do produto criado. Tal qual a primeira fase, a Revolução Industrial 4.0 trará profundas mudanças na estrutura do trabalho, em especial no aspecto social dessa relação. Se por um essas novas profissões possibilitam um ganho de produtividade, por outro demandam cada vez menos interação entre os indivíduos. Esse afastamento, possivelmente, provocará a  perda do sentido social do trabalho para o indivíduo.

Diante desse quadro, os gestores de educação  devem pensar os currículos escolares com o objetivo de desenvolver habilidades comportamentais desde os primeiros anos de formação, diminuindo o “GAP” de competências exigidas pelas profissões do futuro. Outrossim, os Estados devem criar leis que regulem o uso dessas tecnologias no mercado de trabalho, impondo limites à automação massiva, evitando o distanciamento social. Os Governos precisam compreender essas mudanças e antecipar suas ações com vistas a amenizar os transtornos decorrentes de uma transformação dessa natureza.