As profissões do futuro e seus desafios

Enviada em 19/06/2020

No filme “O Homem Bicentenário”, de Isaac Asimov, é retratado um futuro distópico no qual uma família contrata um robô para ser o empregado da casa e, assim, obter uma maior produtividade em relação às tarefas domésticas. Nesse sentido, fora da ficção, é notório que tal prerrogativa está intimamente relacionada às formas de trabalho prospectadas para o futuro. Diante disso, é válido mencionar que entre os principais desafios encontrados acerca dessa temática, encontram-se a falta de investimentos na melhoria e qualificação dos trabalhadores frente a esse cenário, bem como o desemprego estrutural gerado pela substituição humana pela máquina.

Em primeiro plano, é válido salientar que, segundo o filósofo Thomas Hobbes, o Estado é a instituição responsável por assegurar a solidificação das relações sociais. No entanto, hodiernamente, observa-se que tal preceito não é colocado em prática, haja vista que a falta de investimentos no preparo e qualificação desse setor é um dos desafios enfrentados pela sociedade contemporânea no que tange às mudanças trabalhistas ocorridas, afinal, conforme exposto pelo SENAI(Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial), o mapa do trabalho aponta a necessidade de qualificar cerca de 10,5 milhões de profissionais até 2023.

Por conseguinte, um dos problemas decorrentes desse fator é a intensa mecanização dos meios produtivos que vigoram na contemporaneidade, o que gera, dessa forma, um alto índice de desemprego, uma vez que, a busca pelo lucro, juntamente com o advento das relações líquidas e fragilizadas entre os homens, formam o tema central do estudo do sociólogo Zygmunt Bauman a respeito do trabalho esperado para o futuro. Nesse viés, tal assertiva vai contra a um dos preceitos estipulados pela Constituição Federal, já que, em seu sétimo artigo, ela garante o direito de proteção profissional em face da automação, na forma da lei.

Em suma, diante dos conflitos expostos, urge que ações sejam tomadas o quanto antes, com o fito de mitigar as adversidades enfrentadas por essa classe. Logo, cabe ao Estado, como mantenedor da ordem, progresso, leis e bem-estar civilizatório, investir na criação de cursos preparatórios que poderiam ser distribuídos por empresas responsáveis pela contratação dos profissionais. Tal medida deveria ser realizada por meio de apoios governamentais, bem como pela alocação de recursos do Ministério da Economia, com o intuito de melhorar e qualificar esses trabalhadores, para que, assim, os índices de desemprego diminuam cada vez mais e a mecanização da produtividade não se torne um problema. Com isso, será possível conquistar uma sociedade que coloque em prática a legitimidade da Constituição de 1988 e que seja diferente à representada pelo filme “O Homem Bicentenário”.