As profissões do futuro e seus desafios
Enviada em 29/06/2020
Durante o século XX, o Brasil passou pelo chamado Êxodo Rural, o qual correspondeu ao deslocamento de trabalhadores rurais para as cidades. Isso ocorreu, principalmente, por conta da substituição desses profissionais por máquinas que, ao fazerem o trabalho equivalente a centenas de pessoas, passaram a ser utilizadas em detrimento dos camponeses. Já no século XXI, o cenário aponta para que essa situação ocorra não só na agricultura, mas também em todos os outros postos de trabalho. Sendo assim, o principal desafio que será enfrentado pelas profissões do futuro será a substituição da mão-de-obra humana pela tecnologia, o que acarretará na escassez de vagas de emprego.
A princípio, o momento atual da tecnologia faz com que o número de profissionais que perderão seus postos de trabalho seja muito maior do que o observado no Êxodo Rural. Isso se deve ao fato de que a Terceira Revolução Industrial, a qual consiste na fase do capitalismo em que as inovações tecnológicas são mais utilizadas nos meios de produção, permitiu que fossem criados equipamentos capazes de realizar tarefas que, outrora, só poderiam ser realizadas por pessoas. Sob tal óptica, esses novos aparelhos causam a extinção das profissões dos indivíduos, o que é, no mínimo, preocupante, visto que o ser humano precisa de um emprego para obter o seu sustento.
Consequentemente, devido à evolução tecnológica propiciada pela Terceira Revolução Industrial, as profissões do futuro tendem a ser raras e o desemprego, elevado. Nesse sentido, segundo o geógrafo brasileiro Milton Santos, a perversidade desse sistema reside no fato de que os idealizadores dessas tecnologias prometeram que elas auxiliariam a humanidade, mas o que elas realmente fizeram foi tornar a mão-de-obra humana descartável. Logo, se nenhuma medida de proteção aos postos de trabalho for tomada, as profissões do futuro estarão fadadas a serem exercidas por máquinas, enquanto a maioria da população estará desempregada. Esse desemprego massificado, em nome de uma maior eficiência nos processos, além de representar uma extrema falta de compaixão dos que optam por essa opção, ainda se revela ser contra a Declaração Universal dos Direitos Humanos, a qual garante que o emprego é um direito de todos.
Portanto, tendo em vista que a tecnologia coloca em risco as profissões do futuro, é vital que o Governo Federal proteja os postos de trabalho dessa ameaça. Essa proteção pode se dar pelo estabelecimento de um grau máximo de automação das empresas, sendo que a ultrapassagem desse limite resultaria em multas. Dessa maneira, as profissões futuras serão exercidas, majoritariamente, por pessoas, ao contrário da tendência imposta pela Terceira Revolução Industrial.