As profissões do futuro e seus desafios
Enviada em 12/07/2020
No filme “A Família do Futuro”, a personagem Dóris é um robô criado para facilitar a vida diária realizando atividades básicas, entretanto, torna-se uma ameaça quando essa resolve escravizar os seres humanos. Ao contrário, na série “Os Jetsons” a sociedade lida harmoniosamente com esse desenvolvimento, utilizando-o para facilitar em suas ocupações. Fora da ficção, a tecnologia, surge também como uma forma de criar novos afazeres, solucionando o desemprego,por exemplo, porém a falta de conhecimento sobre o assunto e a mentalidade capitalista transformaram esse recurso em uma realidade parecida com a do primeiro caso, fazendo com que a população não se engaje nesse avanço.
Diante dessa perspectiva, o sistema educacional vigente unido à cultura da estabilidade gera uma aversão às novidades do mercado de trabalho. Na esfera escolar, o ensino é voltado para o tecnicismo, ou seja, não é engajada a criatividade, sequer a tecnologia, e sim o conhecimento teórico básico de todas as matérias para obter êxito no vestibular. Coexistente a isso, o comportamento social de que o trabalho deve ser algo inerente ao indivíduo, para que esse liquide suas dívidas, impede que os trabalhadores exponham-se à novos ofícios. Assim, serviços como desenvolvedor de sites e cientista de dados são áreas que podem não ser procuradas, visto que não garantem uma segurança financeira e a escola não as apresentam aos aluno,com isso, o costume é um dos desafios das novas profissões.
Ademais, a perspectiva liberalista de que cada cidadão, individualmente, é responsável por seu sucesso cria uma rivalidade entre profissões tradicionais com as futuristas. Exemplificando tal fato, na esfera jurídica existem julgamentos que já são feitos por inteligência artificial, isto significa que os profissionais do direito veem essa novidade como o prenúncio do fim de suas carreiras e consequentemente de seus êxitos. Contudo, a inovação não precisa gerar o desemprego estrutural, fim de determinada profissão, os juristas podem utilizá-la como uma forma de aumentar sua capacidade cognitiva, sistematizando diversos dados de forma simples o que evita sentenças errôneas. Nesse caso, a tecnologia deve ser vista como aliada ao contrário de competidora.
Em vista do exposto, urge a necessidade de mudança na ideia que se tem do futuro no mercado de trabalho e na geração de renda. Para isso, o Ministério da Educação deve, juntamente, com as instituições de graduação, criar uma matéria obrigatória à todos os cursos que ensine sobre o uso da tecnologia em cada ofício, a fim de cativar a criatividade, formar melhores profissionais e evitar o desemprego. Outrossim, o MEC e o Ministério da Ciência e Tecnologia necessitam de um projeto que possibilite a realização de feiras de trabalho, nas escolas, para que alunos conheçam todas áreas disponíveis. Dessa maneira, a realidade torna-se mais próximas das dos Jetsons ao invés da Dóris.