As profissões do futuro e seus desafios

Enviada em 26/06/2020

Personagem narrada em “A hora da estrela”, Macabea é um retrato dos trabalhadores brasileiros que estão à margem da sociedade e possuem suas individualidades desprezadas. Datilógrafa e semi-analfabeta, ela identificava as letras somente pelas suas formas, portanto, não era consciente do seu próprio trabalho. Dessa forma, a obra de Clarice Lispector proporciona um diálogo com a atualidade ao abordar a alienação ocupacional de uma camada social, além de mencionar uma profissão que, em pouco tempo, tornou-se obsoleta. Frente a essa realidade, os desafios referentes aos postos de trabalho, sobretudo no futuro, devem ser enfrentados tendo em vista a realização profissional dos indivíduos, bem como a plenitude dos seus desenvolvimentos.

Nesse sentido, as formas de trabalho são constantemente transformadas e adaptadas às novas tecnologias, exigindo dos profissionais habilidades que superam o conhecimento técnico. Isso, pois, de acordo com o Fórum Econômico Mundial, criatividade, empatia e pensamento crítico são competências apontadas como fundamentais para o trabalhador do futuro. Entretanto, essa realidade está distante dos muitos empregos exaustivos ou monótonos comuns no Brasil, os quais geralmente são a porta de entrada dos jovens para o mercado de trabalho. Em decorrência disso, acentua-se o processo de Reificação, descrito pelo sociólogo Gyorgy Lukcás como uma objetificação dos trabalhadores, interferindo no caráter social e identitário do trabalho.

Por outro lado, os altos índices de desemprego no Brasil e as crises econômicas mundiais interferem diretamente nas escolhas profissionais, moldando as perspectivas para o futuro. Com isso, cresce o almejo por mais estabilidade econômica, afunilando a busca por ofícios mais tradicionais, como o setor comercial, a Medicina e o Direito. Em contrapartida, um estudo da Universidade de Harvard, liderado pelo psicólogo Howard Gadner, mostrou que existem múltiplas inteligências desenvolvidas pelos seres humanos, capazes de possibilitar inovações em diversas áreas profissionais. Dessa forma, a falta de orientação vocacional dos jovens, limita o aprimoramento de suas potencialidades e os priva de um melhor desenvolvimento profissional.

Logo, são necessárias modificações na estrutura socioeconômica brasileira para solucionar o problema em questão. Por isso, é crucial que a população exija das esferas governamentais melhores condições de trabalho, com jornada reduzida, a fim de garantir tempo livre para o desenvolvimento de suas habilidades sociais. Além disso, as instituições de ensino devem promover, em conjunto, oficinas informativas sobre as tendências profissionais, instruindo sobre as formas de acesso aos cursos de qualificação ofertados, principalmente aos moradores longes dos centros urbanos, com o objetivo de apresentar a estes novas oportunidades. Evitando, assim, a alienação trabalhista sofrida por Macabea.