As profissões do futuro e seus desafios
Enviada em 26/06/2020
Uma das maiores consequências da Terceira Revolução Industrial, ocorrida em meados do século passado, foi a mudança de paradigmas no âmbito profissional. Isso porque a expansão tecnológica digital revirou o mercado de trabalho e resultou no surgimento de novas profissões, além de vislumbrar outras delas no futuro, assim como de inúmeros outros desafios.
Durante muito tempo, a escolha de uma profissão representava uma decisão vitalícia, sendo influenciada por tradições familiares e pressões sociais. Com isso, criou-se a ideia de estabilidade profissional, reforçada mais pelos critérios como fama, posição social e retorno financeiro do que por habilidades, paixão ou satisfação pessoal. Nesse sentido, a lógica de trabalho tem sofrido mudanças e, junto com suas demandas, tem requerido mobilidade e flexibilidade, visando a adaptação dos trabalhadores a um mundo em constantes mudanças.
Outra característica exigida pelas profissões do futuro é a inteligência emocional, em oposição ao que se cria como sendo somente a formação educacional. Ou seja, ao ambiente acadêmico exige-se um remodelamento, visando adequá-lo para desenvolver habilidades como liderança, criatividade, capacidades de negociação e de resolução de problemas, pois somente os portadores desses adjetivos conseguirão manter-se empregados. Nessa perspectiva, parafraseando o professor Leon Megginson, “não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente [ou mais escolarizado], mas o que melhor se adapta às mudanças”.
Assim sendo, a inserção do indivíduo no mercado de trabalho, diante das profissões do futuro, exigirá investimentos governamentais na formação dele. Assim, cabe ao Ministério da Educação adequar as Diretrizes Curriculares Nacionais e enfocar a formação dos estudantes para o mercado de trabalho, concomitante à formação tradicional. Isso pode ser feito, por exemplo, desenvolvendo as habilidades cognitivas e comportamentais, através de simulados e utilização de ambientes estimulantes, sob a orientação de profissionais das áreas especializados, além de oportunizar momentos para discussão e reflexão das fortalezas e dificuldades individuais. Dessa modo, espera-se criar uma mão-de-obra que atenda às exigências do novo modelo profissional e que possa, por conseguinte, usufruir das benesses de uma sociedade produtiva.