As profissões do futuro e seus desafios
Enviada em 26/06/2020
O filme norte-americano “O Estagiário” evidencia a necessidade de reinvenção no mercado de trabalho ao narrar a trajetória de Ben, um idoso que se torna estagiário em um site de moda após a extinção de sua profissão. De forma análoga, é fato que, diante das inovações existentes no ramo laboral e do surgimento de novas profissões, posturas de adaptação, como a do protagonista no longa, tornam-se essenciais para a prosperidade no mercado de trabalho. Isso ocorre devido a exigência de uma formação múltipla do indivíduo, o que é um desafio para os brasileiros. Nesse sentido, há de se analisar a dinamização das relações sociais e o desemprego estrutural para solucionar o impasse.
Em primeiro plano, é imperativo pontuar que a mudança constante é característica da sociedade atual, a qual demanda grande adaptação do indivíduo no mercado de trabalho. A esse respeito, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman afirma que, na modernidade, a insegurança torna-se presente em todas as relações sociais, inclusive as trabalhistas. Desse modo, as profissões do futuro tendem a ser ocupadas por profissionais com formações múltiplas e dispostos a aprender, visto que esses trabalhadores estarão aptos para solucionar possíveis problemas causados pela inconstância citada por Bauman. Entretanto, a falta de políticas públicas educativas no Brasil impede que todos os cidadãos tenham acesso à qualificação exigida, o que contribui para o aumento da desigualdade social.
Em segundo plano, cabe ressaltar o desemprego causado pela ausência de formação profissional do trabalhador como consequência do surgimento de novas profissões. Acerca disso, a Constituição Federal de 1988 garante o trabalho como um direito social essencial para o bem-estar da população. No entanto, a falta de qualificação do trabalhador, causada pela omissão do Estado, contribui para o agravamento do desemprego estrutural - o qual é característico de nações em desenvolvimento, como o Brasil. Soma-se a isso, a diminuição da frequência de profissões tradicionais, agravando a condição de miséria de significativa parcela da população, a qual tem seus direitos desrespeitados.
Diante desse contexto, torna-se evidente a necessidade de intervenção estatal para impedir o desenvolvimento de problemas decorrentes das inovações tecnológicas no mercado de trabalho. Desse modo, cabe ao Ministério do Trabalho, em associação ao Ministério da Ciência e Tecnologia, desenvolver políticas públicas de qualificação profissional para a população, a fim de diminuir a desigualdade de oportunidades. Isso será feito por meio da criação de cursos profissionalizantes gratuitos, os quais devem ser disponibilizados em plataformas digitais e ministrados por profissionais das “profissões do futuro”, que ensinem como se destacar nas diversas áreas de atuação. Com efeito, o Brasil poderá desfrutar das inovações existentes na atualidade de forma plena.