As profissões do futuro e seus desafios

Enviada em 29/06/2020

Na obra “Educação como prática de liberdade”, do educador brasileiro Paulo Freire, é defendida ações transformadoras na educação com o objetivo de torná-la o pilar para a redução da desigualdade econômica. Fora da ficção, o que se observa é o oposto do que o autor prega, com isso emerge a necessidade de adequar e integrar o sistema educacional brasileiro à nova realidade tecnológica do mercado. Nesse contexto, convém analisarmos a deficiência do modelo de educação no Brasil e as principais consequências para nossa sociedade. Em primeiro lugar, é importante ressaltar conforme pesquisa feita pelo IBGE em 2013, 18% dos brasileiros são analfabetos funcionais. Segundo o filósofo Immanuel Kant, o ser humano é aquilo que a educação faz dele e, sob tal ótica, os brasileiros estão de acordo com essa teoria. Falta investimento e preparação do jovem para o mercado de trabalho, principalmente dos estudantes de classes mais baixas que, quando conseguem concluir o ensino médio, se deparam com o desafio ainda maior para cursar o ensino superior. De maneira análoga, países que investem na educação inclusiva são mais desenvolvidos economicamente pois, além de facilitar a ascensão social do estudante, o valor investido pode retornar ao país com a modernização tecnológica e científica, sem a necessidade de importar tecnologia e mão de obra qualificada em outros países.

Conquanto, é importante ressaltar a questão estrutural das escolas. Não raramente temos conhecimento de professores que são impossibilitados de lecionar devido a falta de material didático. Pensando nos desafios que serão colocados as profissões futuras, não só os estudantes como também as instituições deverão se adaptar. É necessário que o ambiente de estudo reflita o que se espera no mercado de trabalho e, para isso, é importante que o jovem tenha conhecimento pleno nas novas tecnologias e familiaridade com o seu uso.

Portanto, é mister que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Para tornar o sistema educacional mais eficiente as profissões do futuro, urge que o Ministério da Educação crie por meio de verbas governamentais, programa de reestruturação e modernização institucional que vise a preparação e integração dos estudantes ao mercado de trabalho; adequação tecnológica das escolas e campanha publicitária para motivar a adesão dos alunos ao novo projeto. Por conseguinte, tal iniciativa tornaria a mão-de-obra brasileira mais qualificada às necessidades do mercado e diminuiria a necessidade de importar de outros países. Assim, será possível preparar o jovem para as futuras profissões e, enfim, gozarmos de uma sociedade mais justa e igualitária idealizada por Freire.