As profissões do futuro e seus desafios
Enviada em 30/06/2020
Em um mundo moderno caracterizado por constantes períodos de crise econômica, envelhecimento populacional crescente, maior preocupação com impactos ambientais e avanços tecnológicos exponenciais, é inevitável que o mercado de trabalho permaneça sempre o mesmo. A quarta revolução industrial, caracterizada pela presença intensiva da tecnologia no mercado trabalhista, já está tomando um lugar progressivamente maior no globo, e tem provocado mudanças estruturais significativas no mercado de trabalho e nos meios de produção.
Percebe-se que o mundo caminha rumo à tecnologia, inteligência artificial e automatização, com o objetivo de diminuir custos e aumentar a eficiência. Assim, o mercado de trabalho inclina-se à substituição da força de trabalho humana por robôs; especialmente no caso de empregos operacionais e manuais. Logo, o mercado de trabalho desafia cada vez mais a mão de obra, com demandas semelhantes ao conceito de Paidéia elaborado pelo filósofo grego Platão. Ambos exigem uma multiplicidade de conhecimento, tanto no campo científico quanto no humano e emocional, que deve ser mantida constantemente.
Apesar de suas vantagens, essas circunstâncias geram o potencial de uma exclusão social ainda maior que a atual, já que a especialização da mão de obra permanece uma realidade exclusivista no Brasil. A modernização dos negócios também apresenta ameaças a direitos trabalhistas já conquistados. Por não terem horários fixos de trabalho, os operários ficam completamente à mercê do seu empregado, podendo até ser demitidos no caso de se recusarem a trabalhar mais horas do que a carga horária combinada. Além disso, com o avanço do empreendedorismo em empregos corporativos no formato de freelance, pode-se inferir que o fluxo salarial tende a tornar-se cada vez mais irregular.
Dessa forma, é imprescindível que o Estado interfira para prevenir catástrofes econômicas nacionais. O Ministério da Educação deve incorporar aulas dedicadas às novas habilidades humanas ao currículo da formação fundamental, bem estudos de computação, para preparar as próximas gerações. Adicionalmente, o poder legislativo necessita criar leis de proibição de demissão de funcionários freelance e independentes durante períodos de recessão econômica, garantia de um salário mínimo em um ambiente sem salários definidos, e, por fim, o estabelecimento de uma carga horária máxima de horas semanais de trabalho juntamente com um sistema de cotas sobre um quarto dos empregos modernos disponíveis. Para amparar aos desempregados pela robôtização, o Estado deve patrocinar cursos profissionalizantes voltados à tecnologia dedicados àqueles sem condições de pagá-los, juntamente com eventos de conscientização direcionados à população de baixa renda.