As profissões do futuro e seus desafios

Enviada em 30/06/2020

A Primeira Revolução Industrial, iniciada na segunda metade do século XVIII, possibilitou o nascimento da indústria e, consequentemente, a mudança na forma de trabalho. Desse modo, artesãos e trabalhadores rurais tiveram que se adaptar às mudanças da modernidade, deixando de lado suas antigas tradições. Contemporaneamente, é fato que, com o avanço desenfreado da tecnologia, o mercado de serviços está se adaptando para receber as profissões do futuro e, por conta disso, são necessários debates para amenizar o aumento das desigualdades e outras consequências éticas e morais presentes na evolução dos mecanismos de trabalho.

Em primeiro lugar, é importante ressaltar que as desigualdades salariais já presentes poderão se intensificar com uma nova Revolução Industrial, já que, com a evolução das máquinas, o mercado de trabalho ficará cada vez mais exigente, demandando mais formação técnica e superior da população. Nesse contexto, de acordo com o filósofo alemão Karl Marx, a classe dominante, além de deter os meios de produção, também domina a produção intelectual, desfavorecendo as demais camadas da sociedade. Logo, com a elitização do acesso à formação universitária, a população de baixa renda será marginalizada e não contará com a possibilidade de ascensão social.

Por conseguinte, é válido lembrar que existem muitos desafios éticos e morais na inserção da inteligência artificial – ciência que constrói mecanismos que simulam diversas capacidades dos seres humanos – em algumas áreas de trabalho. Nessa perspectiva, cabe citar o filme “I am mother”, produzido pela Netflix, que relata a vida de uma jovem criada por um robô. Esse filme, além de narrar um futuro pessimista pelo abuso da tecnologia, descreve as questões éticas envolvidas no relacionamento entre humanos e máquinas. Fora da ficção, o debate sobre os possíveis problemas na inclusão de alternativas tecnológicas para substituição do trabalho humano tem aumentado, uma vez que não existem comprovações acerca do comportamento de um robô ao lidar com pessoas diariamente.

Portanto, é incontestável que medidas precisam ser tomadas para que exista uma solução para os desafios das profissões do futuro. Para isso, é necessário que o Ministério da Educação crie cursos técnicos voltados aos jovens do ensino médio da rede pública de ensino, contratando professores de diversas áreas atuais para qualificar e inserir a população de baixa renda no novo mercado de trabalho. Além disso, é preciso que o Ministério da Tecnologia discuta por meio de reuniões com o Governo Federal e o Ministério da Saúde sobre os possíveis impactos da robotização em áreas humanitárias. Somente assim, os desafios das profissões e do mercado de trabalho futuro poderão ser resolvidos.