As profissões do futuro e seus desafios

Enviada em 12/07/2020

O artigo 6º da Constituição de 1988 garante diversos direitos, dentre eles, a educação e o trabalho. Não obstante, a falta de ensino voltado às tecnologias e a precarização do trabalho são desafios cada vez mais relevantes para os profissionais do futuro, pois influenciam no desenvolvimento das gerações posteriores. Diante disso, cabe questionar como adaptar a sociedade ao porvir.

Precipuamente, cabe destacar a falta de ensino tecnológico como promotor da desigualdade empregatícia, que, cada vez mais acentuada, gera riscos nas oportunidades de trabalhos das populações mais carentes. Por exemplo, o filme “Eu, robô” conta a história de um mundo futurista que, apesar de esbanjar tecnologia, tem diversos indivíduos excluídos do mercado de trabalho, já que não tiveram a oportunidade de se profissionalizar. Consonante a isso, o precário ensino brasileiro não assegura a inserção dos mais pobres nas futuras profissões, por conseguinte, aumenta o número de possíveis desempregados. Dessa forma, parte da adaptação da sociedade aos avanços tecnológicos está na educação voltada ao meio virtual.

Além disso, a precarização do trabalho representa um entrave para os profissionais do futuro, visto que, com as mudanças estruturais das empresas para o ambiente virtual, muitos empresários informalizam o serviço prestado, pagando bem menos do que se assinassem a carteira do empregado.

Nessa perspectiva, o então chefe do Executivo Getúlio Vargas, ao observar o grande desejo popular pelos direitos trabalhistas, decidiu criar a CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas), garantindo a proteção do trabalhador sobre o empresário. Hodiernamente, por isso, constitui-se retrocesso a perda de direitos historicamente adquiridos. Desse modo, é essencial que o Estado defenda os novos profissionais do meio virtual contra a classe burguesa.

Portanto, tendo em vista os desafios para os profissionais do futuro, infere-se a necessidade de mudanças. Para isso, o MEC deve criar na grade curricular o ensino de robótica e de tecnologia da informação, de modo a oferecer os instrumentos das aulas, as quais serão lecionadas por especialistas nas respectivas áreas, a fim de promover a adequação das futuras gerações no meio tecnológico, evitando o futuro de “Eu, robô”. Ademais, o poder público precisa adaptar a CLT ao meio virtual sem, no entanto, deixar a proteção do trabalhador como foco, com o fito de não retroagir nos direitos socialmente conquistados.