As profissões do futuro e seus desafios

Enviada em 08/08/2020

Pesquisas realizadas pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) revelam que, em média, 57% dos empregos estão suscetíveis à automação e à robotização. Com isso, surgem possibilidades de novas ocupações adaptadas a esse contexto tecnológico, sendo algumas ainda inexistentes. Porém, no Brasil, essas profissões do futuro enfrentam desafios como os baixos índices de conclusão do Ensino Superior e a cultura do bacharelismo, que ameaçam o desenvolvimento do país.

Nesse contexto, o advento da Terceira Revolução Industrial, após a década de 1950, gera uma demanda por profissionais qualificados por ser voltada ao meio técnico-informacional, o que vai de encontro ao índice de apenas 19,7% de concluintes do Ensino Superior no Brasil, divulgado pela OCDE. A partir disso, o descompasso entre vagas ofertadas e qualificação do trabalhador acaba por ocasionar o desemprego estrutural como consequência da não adaptação às novas profissões. Dessa forma, o país perde investimentos e parcerias internacionais, comprometendo seu desenvolvimento.         Ademais, a cultura do bacharelismo voltado à Medicina e ao Direito ainda é muito presente no Brasil, vista historicamente em romances do século XIX como “Esaú e Jacó”, de Machado de Assis, no qual dois irmãos são bacharéis, sendo um médico e outro advogado. Essa insistência nos dois segmentos, até os dias atuais, faz com que haja desvalorização de outros setores, como os de pesquisa e tecnologia, que são o futuro do mercado de trabalho. Dessa maneira, o país acaba exportando muitos pesquisadores pela falta de investimentos, implicando prejuízos ao seu crescimento no cenário internacional.

Portanto, as profissões do futuro esbarram na baixa quantidade de profissionais qualificados e na tradição de alguns setores. Logo, compete ao Poder Público o incentivo à formação Superior do profissional, por meio de benefícios tributários às empresas que facilitem a inserção do empregado em cursos profissionalizantes, a fim de suprir as exigências do mercado de trabalho e evitar o desemprego. Além disso, compete ao Ministério da Educação promover conversas com profissionais de áreas diversas em suas redes sociais, para auxiliar a escolha laboral de jovens e afastar, assim, o cenário de ameaça previsto pela OCDE.