As profissões do futuro e seus desafios
Enviada em 04/10/2020
No Artigo 6° da Constituição Federal de 1988, é garantido a todos os cidadãos brasileiros o trabalho, afirmando a importância desse direito aos indivíduos. No entanto, se já está difícil garantir esse direito no cenário atual, estudiosos das relações de trabalho afirmam que as profissões do futuro trarão ainda mais desafios para que esse direito seja desfrutado pelo corpo social. Nesse sentido, convém analisar a falta de investimento do governo na educação e a falta de adaptação da população ao imediatismo dos dias atuais como pilares fundamentais da problemática.
A princípio, é fulcral pontuar que a falta de investimento na educação dificultará o ingresso da população no mercado de trabalho no futuro. No livro ‘‘Vidas Secas’’ de Graciliano Ramon, o protagonista Fabiano, desprovido do acesso ao conhecimento, acaba sendo explorado e humilhado por aqueles que detém o saber. Nesse viés, sendo a arte uma mera reprodução da realidade, hoje são milhares os Fabianos no Brasil. Dessa forma, é possível perceber que a falta de estudo impossibilita que muitas pessoas consigam oportunidades de emprego, fazendo com que essa parcela da população não consiga usufruir do seu direito social. Sendo assim, constata-se que a falta de medidas do governo para garantir a educação para todos, consequentemente, fará com que muitos indivíduos não consigam fazer parte das profissões do futuro.
Outrossim, vale, ainda, ressaltar que a falta de preparação da sociedade para lidar com as mudanças no mercado de trabalho faz com que as profissões do futuro continuem sendo um desafio. Segundo o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, a falta de solidez nas relações sociais, políticas e econômicas é a característica da ‘‘Modernidade Líquida’’ vivida no século XXI. Seguindo é essa linha de pensamento, verifica-se que a população não está preparada para lidar com as mudanças que irão ocorrer no mercado de trabalho, uma vez que as incertezas do futuro somadas ao medo de não se adaptarem ao novo, torna o cenário de mudanças angustiante para população.
Infere-se, portanto, que iniciativas são necessárias para que os direitos sociais sejam assegurados. Logo, o governo, a partir do Ministério da Educação, deve investir no ensino médio, última etapa da educação básica brasileira, por meio da adição de cursos profissionalizantes voltados para as necessidades das profissões do futuro, a fim de que os jovens saiam do colégio já tendo uma mão de obra qualificada, facilitando assim a entrada destes no mercado de trabalho. Ademais, a escola, com seu poder transformador, deve proporcionar palestras ministradas por intermédio de profissionais da área da psicologia e de professores de sociologia, com intuito de preparar os alunos psicologicamente para lidar com o imediatismo e se conscientizarem das mudanças econômicas que o país enfrentará.