As profissões do futuro e seus desafios
Enviada em 21/10/2020
No decorrer da história mundial, as revoluções industriais alteraram os modelos de produção, ditaram o ritmo do mercado e transformaram as relações sociais. Essas imposições forçaram – e ainda forçam – a adequação do cidadão ao mercado de trabalho, vendo-se obrigado a buscar por alternativas capazes de superar as barreiras impostas pelo sistema capitalista: a desigualdade no acesso à educação e às novas tecnologias.
Em primeiro plano, é necessário ressaltar que os avanços tecnológicos desenvolvidos durante a Terceira Revolução Industrial (Revolução Informacional), que abrange o período após a Segunda Guerra Mundial até a atualidade, fomentaram novas ferramentas de interação e trocas de conhecimento. A ampliação dos formatos educacionais não foi, porém, capaz de superar a disparidade existente na infraestrutura brasileira. Desse modo, além da necessidade de atualizar sua metodologia e de desenvolver as aptidões de seus alunos, o sistema educacional depende do suporte e do incentivo do Estado para ampliar e estruturar o acesso à educação livre das barreiras impostas pela má distribuição das verbas governamentais e dos serviços, como a internet, no Brasil. Afinal, segundo o filósofo Immanuel Kant, “O ser humano é o que a educação faz dele”.
Em segundo plano, as imposições do mercado exigem contato constante, por parte dos trabalhadores, com as produções técnicas e científicas. Nesse aspecto, o fomento à pesquisa torna-se essencial na promoção de tecnologias alternativas e na adaptação ao sistema de mercado, uma vez que esse estímulo insere o indivíduo no centro de inovação, transformando-o em agente nesses processos. Ademais, ao incentivar a coexistência de diferentes visões, novas possibilidades e abordagens são construídas dentro do território nacional, aproximando gerações e apresentando as oportunidades profissionais aos jovens brasileiros. Logo, ao invés de potencializar a segregação do conhecimento, o Estado tem o dever impulsionar o desenvolvimento criativo em todos os níveis da educação, inspirando e preparando os estudantes a tornarem-se autores dos próprios destinos.
Assim como nas revoluções industriais, é problemático distanciar as ações do governo dos desafios impostos por novos sistemas e novas estruturas sociais. É imprescindível que o Ministério da Educação, em conjunto com o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, promova projetos educacionais nas escolas de diferentes níveis, por meio de palestras e aulas práticas, para que uma ponte entre educação e tecnologia seja estabelecida e fortalecida. É através da consolidação dos níveis básicos e da valorização das áreas técnicas e criativas que o cidadão torna-se ativo na sociedade e menos dependente nos movimentos de transformação comuns na globalização.