As profissões do futuro e seus desafios

Enviada em 25/02/2021

Durante o curso da história, percebe-se a inevitável substituição de atividades que, em razão de melhorias tecnológicas, tornaram-se obsoletas. Um exemplo desse fenômeno foi o praticamente completo desaparecimento de acendedores de poste, que foram substituídos pela energia elétrica há décadas. Embora mudanças como essa tenham ocorrido muito tempo atrás, atualmente prevê-se novas alterações nas principais atividades realizadas com o objetivo de obter retorno financeiro. Nesse contexto, considerando que a tecnologia muitas vezes realiza atividades de maneira mais precisa, por menos custos e em menor tempo, é inevitável que a mão de obra humana não seja favorecida. Dessa forma, devido à dificuldade que a população de baixa renda possui para investir em especialização, essa transição deve ser guiada de forma gradual pelo empresariado.

De fato, as inovações tecnológicas realizam diversas atividades de maneira mais rápida, precisa e barata que o ser humano. Esse fato pode ser percebido ao tratar da Revolução Verde, que a partir dos anos 60, foi a principal responsável pela mecanização do trabalho agrícola. Como consequência da perda de espaço para as máquinas nesse período, os camponeses passaram a assumir o papel de operadores dessas novas tecnologias, exigindo maior nível de conhecimento técnico. Essa é uma realidade que vivencia-se nos dias atuais, onde quanto menos qualificação intelectual é exigida por um trabalho, maiores as chances de uma máquina realizá-lo mais produtivamente para obter lucro no sistema capitalista. Dessa forma, as pessoas de menor renda são as mais afetadas, pois não possuem, muitas vezes, condições financeiras ou escolaridade para buscar especializações.

Ademais, é válido ressaltar que, como consequência da menor demanda por trabalhos de baixa qualificação, o bom desempenho acadêmico se tornará cada vez mais exigido, elevando ainda mais as desigualdades sociais. Nesse sentido, percebe-se que, segundo pesquisa da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, a maioria dos empregos que serão quase totalmente extintos são aqueles exercidos pela população de baixa renda, como a limpeza, preparação de alimentos, etc. Tais indivíduos, para se adequar ao sistema, precisarão quase certamente possuir um nível de escolaridade que não lhes é fornecido pelo Estado, tornando-se cada vez mais pobres.

Portanto, é necessário que o empresariado faça essa mudança de maneira gradual, oferencendo oportunidades de se especializarem e reingressarem à empresa com novas atribuições, por meio de cursos técnicos realizados por especialistas na área em que irão trabalhar, com o objetivo de afetar tais indivíduos o mínimo possível. O Estado deve também fornecer oportunidades maiores para essa população de ingressar no Ensino Superior, para que assim possam ter novas oportunidades.