As relações pessoais em tempos de modernidade líquida

Enviada em 06/09/2019

Solidariedade em decadência e o ápice do individualismo

Durante toda a história das civilização, as relações humanas foram se transformando com o passar dos anos e com a diferenciação cultural determinada por cada região; de forma a estimular e perpetuar o egocentrismo na modernidade pós revolução industrial, afetando diretamente nos conceitos de coletividade e solidariedade. De forma análoga, já dizia o humorista George Carlin: “o paradoxo dos nossos tempos é que temos edifícios mais altos e pavios mais curtos; estradas mais largas e pontos de vistas mais estreitos.”

A priori, é possível observar, no contexto atual de Revolução Técnico Científica, que as pessoas são diariamente bombardeadas de informações novas, a produtos novos a serem consumidos - gastando tempo, dinheiro e oportunidades com coisas materiais, consideravelmente fúteis comparadas à convivência social. Nesse contexto, cabe destacar o pensamento do sociólogo Georg Simmel no que diz respeito à essa falta de valorização do próximo e o enaltecimento do superficial. Para esse estudioso, a vida urbana, na modernidade, exige uma intensificação do sistema nervoso para captar estímulos, que pode gerar problemas na saúde mental e isso faz com que a sociedade se isole da realidade para “sobreviver”. Tal angústia e isolamento faz perpetuar a liquidez nas relações sociais, como a apatia, a ansiedade, entre outros problemas.

Por consequente, ao tempo em que a sociedade se isola, problemas e  diversos âmbitos sociais vão surgindo, tais como o desaparecimento do olhar solidário quanto ao próximo. Sob esse aspecto, já analisava José Saramago em sua obra, “O ensaio sobre a cegueira”; que relata sobre uma sociedade em cegueira generalizada frente aos problemas coletivos - como mostra um trecho do livro, “cegos que vendo, não vêem”. Dessa forma, a solidariedade deixa de ser praticada e o individualismo prevalece em uma sociedade, denominada orgânica pelo sociólogo Emille Durkeim; ou seja, funciona com a igual importância de cada pessoa, em cada função, na sociedade.