As relações pessoais em tempos de modernidade líquida
Enviada em 05/09/2019
Em um dos episódios da série americana de muito sucesso Black Mirror, os indivíduos de uma sociedade são e avaliados e segregados mediante o nível de popularidade nas redes sociais, onde, embora triste e solitários, lutam constantemente pela aprovação virtual. Mesmo distópica, a ficção aproxima-se da realidade diante do grau de importância que as redes sociais exercem hoje no cotidiano dos usuários. Nesse sentido, as mudanças nas relações sociais e o regimento das tecnologias ajudam a compreender as causas desse fenômeno.
Assim, Zygmund Bauman - importante sociólogo do século XX - disserta que na modernidade as relações tendem a ser fluidas, menos frequentes e menos duradoras. Esse aspecto da vida cotidiana está diretamente relacionado com a efêmera sensação de proximidade que as redes sociais proporcionam. Justo por isso, em um universo de constante descentralização da informação e de destaque aos usuários mais ativos, todos necessitam ser vistos e ouvidos, expressar opiniões e sentir-se parte de um grupo, o que por si só já revela uma grave patologia social.
Além disso, as mídias, por meio de tecnologias como os algoritmos, constantemente desregulam funções cognitivas, ignoram o sistema de autocrítica dos internautas e dão uma falsa sensação de onipotência, com consequências danosas para a convivência coletiva a médio e longo prazo. Os jovens, nesse caso, são os mais afetados já que ainda estão em processo de amadurecimento. Por isso, a problemática precisa estar no centro dos debates em sociedade e ameniza-lo requer uma participação conjunta entre diversos setores.
Para isso, as próprias empresas de tecnologia, como o Google, Facebook e Twitter, devem atuar na alteração de algumas funcionalidades como a política de likes, visualização de seguidores e configuração e aprimoramento dos algoritmos, tornando-os menos invasivos, como forma de tornar as redes sociais mais igualitários e menos competitivas. Ao mesmo tempo, o constante diálogo na mídias, escolas e universidades desenvolvimentos por órgãos públicos e privados são cruciais para que seja possível compreender e reverter os efeitos dessa problemática.