As relações pessoais em tempos de modernidade líquida
Enviada em 11/10/2019
A passagem do tempo e as transformações mundiais ocorridas nas últimas décadas, modificaram as relações estabelecidas entre as pessoas, tornado-as efêmeras e líquidas. Na sociedade moderna a economia é centrada no dinheiro e a prosperidade e o consumo são objetivos de uma vida de sucesso. Nesse contexto, é possível perceber que nunca antes na história houve tantos casos de suicídio, depressão e ansiedade no país relacionados à instabilidade econômica e dinâmica social fluida.
Historicamente, após a Segunda Guerra Mundial e com o advento da Guerra Fria, a globalização tomou conta da sociedade e as novas tecnologias implantaram um ritmo diferente nas relações sociais e econômicas. Assim, esses acontecimentos contribuíram para a perda de controle sobre os processos mundiais, o que ocasiona incertezas quanto à capacidade de adequação aos novos padrões coletivos, que se dissolvem e mudam constantemente no globo. Com isso, o sociólogo polonês Zygmund Bauman, cunhou o termo “modernidade líquida” para definir o tempo presente, no qual as formas de vida se assemelham pela vulnerabilidade, fluidez e por um estado temporário e frágil nas relações humanas. Essa situação produz angústia, ansiedade e constante medo de não se encaixar nesse contexto que muda num ritmo acelerado.
Outrossim, a globalização transformou o ser humano numa espécie consumista e ancorada em satisfazer seus desejos pessoais. Desse modo, essa prática tornou-se propósito de existência e sinônimo de felicidade para um certo número de pessoas e, também, reprodução do modelo social atual, em que tudo se transforma em moeda de troca e gastos inúteis são o novo motor da realidade social. No entanto, mercadorias não suprem a necessidade humana de contato emocional, e a maior consequência disso são os progressivos índices de suicídio e depressão nos últimos anos, com aumento de 10% e 40%, respectivamente, segundo o Ministério da Saúde.
Fica claro, portanto, que os valores da sociedade estão centrados no imediatismo e individualismo. Com isso, cabe ao Governo criar um órgão regulador de publicidade e propaganda nos estados, com o intuito de selecionar e impossibilitar anúncios com viés consumista, por meio de profissionais especializados como professores e jornalistas. É necessário, ainda, realizar palestras em universidade e escolas, com o objetivo de esclarecer e demonstrar que as relações pessoais líquidas e o consumismo podem trazer malefícios para a saúde do cidadão. Dessa forma, será possível criar uma sociedade sólida e com valores apregoados na contemporâneidade.