As relações pessoais em tempos de modernidade líquida

Enviada em 18/09/2019

Solidariedade em decadência e o ápice do individualismo

Durante toda a história das civilizações, as relações humanas forma se transformando com o passar dos anos e com a diferenciação cultural determinada por cada região, de forma a estimular e perpetuar o egocentrismo na modernidade pós revolução industrial, afetando diretamente nos conceitos de coletividade e solidariedade. De forma análoga, já dizia o humorista George Carlin, “o paradoxo dos nosso tempos é que temos edifícios mais altos e pavios mais curtos, estradas mais largas e pontos de vistas mais estreitos”.

A priori, é possível observar, no contexto atual de Revolução Técnico Científica, que as pessoas são diariamente bombardeadas de informações novas, a produtos novos a serem consumidos - gastando tempo, dinheiro e oportunidades com coisas materiais, consideravelmente fúteis comparadas à convivência social. Nesse contexto, cabe destacar o pensamento do sociólogo Georg Simmel no que diz respeito à essa falta de valorização do próximo e o enaltecimento do superficial. Para esse estudioso, a vida urbana, na modernidade, exige uma intensificação do sistema nervoso para captar estímulos que pode gerar problemas na saúde mental e isso faz com que a sociedade se isole da realidade para “sobreviver”. Tal angústia e isolamento juntamente ao contexto revolucionário faz perpetuar a liquidez nas relações sociais, como a apatia, a ansiedade, entre outros problemas.

Posteriormente, ao tempo em que a sociedade se isola, problemas em diversos âmbitos sociais vão surgindo, tais como o desaparecimento do olhar solidário quanto ao próximo. Sob esse aspecto, já analisava José Saramago em sua obra, " O ensaio sobre a cegueira, que retrata sobre uma sociedade em cegueira generalizada frente aos problemas coletivos, como mostra um trecho do livro, “cegos que vendo, não vêem”. Dessa forma, a solidariedade deixa de ser praticada e o individualismo prevalece em uma sociedade, denominada orgânica pelo sociólogo Émille Durkeim, ou seja, funciona com a igual importância de cada pessoa em cada função na sociedade.

Logo, evidencia-se que o conceito proposto por Zygmunt Bauman acerca da modernidade líquida se dá pela ascensão da tecnologia, consequentemente, conceitos de coletividade vão se perdendo nesse contexto de sociedade do consumo. Para introduzir a mudanças desses novos valores poucos solidários e bastante individualistas, deve-se propôr ao Ministério da Educação o encargo de fortalecer os princípios morais, por meio da criação de palestras, como também, projetos educacionais nas escolas de ensino básico voltado ao público infantil, ressaltando a importância da empatia. Desse modo, já dizia Malala Yousafzai, “um professor, um aluno, um livro e uma caneta mudam o mundo.