As relações pessoais em tempos de modernidade líquida

Enviada em 18/10/2019

O final do século XX foi marcado por várias mudanças, sendo uma delas o advento da internet particular, a qual trouxe pontos positivos como a facilitação na comunicação e a proximidade de culturas. No entanto, consequencias negativas também foram geradas, e uma delas é o atual cenário social, cuja a superficialidade nas relações, quer seja afetivas ou não, impera. Em face disso, faz-se pertinente a análise de causas, consequencias e possível solução da problemática.

A priori, cabe enfatizar que a superficialidade social é um efeito do individualismo levado ao extremo. Tal premissa torna-se categórica, nos termos kantiano, ao correlacionar a tese do economista Adam Smith – a qual afirma que a ação humana está centrada no próprio interesse do agente – com a concepção narcísica. Esta, estabelece que quanto mais o homem olha para si, mais deixa de sentir a presença dos seus semelhantes. Dessa forma, infere-se que motivado pelo espírito narcísico, os indivíduos, de modo geral, passam a ter uma conduta mais superficial com o restante das pessoas que compõem o meio em que ele está inserido.

Ademais, decorrente da falta de profundidas nas relações sociais, o que se vê é a formação de um corpo social altamente contratualista. A esse respeito, convém trazer a noção apriorística que estabelece a confiança como principal motor do harmonioso funcionamento social. Sob tal ótica, nota-se que ao não ter confiança, as pessoas acabam optando por contratos, os quais garante todos os direitos que lhe são previsto. Porem, por mais compreensível que esse cenário seja, na prática ele acaba distanciado as pessoas cada vez mais.

Diante do exposto, depreende-se, portanto, a necessidade de se modificar a atual forma de convivência em sociedade. Para tanto, cabe a cada pessoa que tomou consciência do panorama apresentado, por meio, inicialmente, das redes sociais e depois se possível com o apoio da mídia, alertar os demais com dados estatísticos que comprovem não só a alto teor contratualista da sociedade, mas também as razões disso ser prejudicial à todos, para que, assim, eles possam de bom grado repensar as suas atitudes e mudá-las. Feito isso, a sociedade caminhará, mesmo que lentamente, para um rumo convergente.