As relações pessoais em tempos de modernidade líquida

Enviada em 06/03/2020

O paradoxo do século XXI

No soneto “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”, de Luís Vaz de Camões, afirma-se que todo o mundo é composto de mudanças. Fora da literatura, a efemeridade é uma realidade na sociedade contemporânea, principalmente nas relações afetivas. Tal quadro tem como uma das principais causas o processo de industrialização que corroborou para uma cultura consumista e individualista. Nesse sentido, é necessário analisar tal problemática, intrinsecamente ligada a aspectos econômicos e culturais, a fim de minimizá-la.

Em primeiro lugar, é válido ressaltar os fatores que implicam na fragilidade dos relacionamentos modernos. Entre eles está o aperfeiçoamento do fluxo de informações e da técnica de produção, permitindo uma aceleração generalizada do ritmo de consumo. Dessa forma, acentuou-se a volatilidade das ideologias e dos relacionamentos. Essa situação é evidenciada por Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, que compara, em sua teoria da Modernidade Líquida, a fugacidade dos vínculos humanos modernos com a liquidez dos líquidos, ou seja a incapacidade de ambos de manterem a forma.

Em segundo lugar, é válido o levantamento do IBGE, o qual mostra um aumento de 8,3% no número de divórcios entre 2016 e 2017. Logo, percebe-se um paradoxo na sociedade do século XXI. Essa torna-se cada vez mais unida pela globalização, ao mesmo passo que fragmenta-se pela valorização do individualismo. Nessa perspectiva, os contatos tendem a exigir menos tempo para serem estabelecidos e também para serem rompidos.

Portanto, é necessário que medidas sejam tomadas a fim de estabelecer um maior equilíbrio entre modernidade sólida e líquida. Cabe ao Ministério da Educação, por meio de palestras em escolas e aulas virtuais com especialistas, orientar a sociedade sobre a importância do contato físico, e não apenas digital, entre os indivíduos. Além disso, é conveniente o debate familiar sobre os sentimentos pessoais de cada um, visando intensificar os laços afetivos. Assim, será possível minimizar a fluidez das relações modernas.