As relações pessoais em tempos de modernidade líquida
Enviada em 10/03/2020
Paradoxo do século XXI
No soneto “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”, de Luís Vaz de Camões, o autor faz uma breve análise sobre as transformações que ocorrem na vida com a passagem do tempo. Fora da literatura, a constância das mudanças, principalmente nos relacionamentos afetivos, torna-se cada vez maior na sociedade moderna. Tal quadro tem como uma das principais causas o processo de industrialização, que corroborou para uma cultura consumista e individualista. Nesse sentido, é necessário analisar tal problemática, intrinsecamente ligada a aspectos econômicos e culturais, a fim de minimizá-la.
Em primeiro lugar, convém ressaltar os fatores que implicam na fragilidade das relações contemporâneas. Entre eles, está o aperfeiçoamento do fluxo de informações e da técnica de produção, permitindo uma aceleração generalizada no ritmo de consumo, visto que possibilitou o aumento da produção. Dessa forma, acentuou-se a volatilidade das ideologias e dos relacionamentos. Essa situação é evidenciada por Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, que compara, em sua teoria da Modernidade Líquida, a fugacidade dos vínculos humanos modernos com a liquidez dos líquidos, ou seja a incapacidade, de ambos, de manterem o formato.
Em segundo lugar, é válido o levantamento da Polícia Federal, o qual mostra um aumento de 160% no número de imigrantes entre 2006 e 2016. Logo, percebe-se um paradoxo na sociedade do século XXI, a qual torna-se cada vez mais unida pela globalização, ao mesmo passo que fragmenta-se pela valorização do individualismo, uma vez que a ideia de progresso é associada a vida pessoal do indivíduo. Nessa perspectiva, os contatos tendem a exigir menos tempo para serem estabelecidos e também para serem rompidos.
Portanto, é necessário que medidas sejam tomadas a fim de estabelecer um maior equilíbrio entre modernidade sólida e líquida. Sendo assim, cabe ao Ministério da Educação, junto às escolas, orientar a sociedade sobre a importância das relações sociais, por meio de projetos que estimulem o trabalho coletivo e o contato físico. Deste modo, será possível minimizar a fluidez dos relacionamentos modernos e promover a formação de laços efetivos.