As relações pessoais em tempos de modernidade líquida

Enviada em 23/03/2020

“Os tempos são líquidos porque, assim como a água, tudo muda muito rapidamente. Na sociedade contemporânea, nada é feito para durar.", diz Zygmunt Bauman, mal sabendo que as relações na atualidade são muito mais complicadas do que no século XX. Há, por isso, uma discussão massificada nos meios telecomunicativos sobre os relacionamentos na modernidade líquida. Aliás, esse é um assunto que envolve não só o individualismo, mas também a insegurança. Todavia, um ponto é fundamental: apesar de ser desafiador amenizar os efeitos de tal problemática, é possível vencê-los com a adoção de medidas eficazes.

Em primeira instância, essa situação é um problema, pois as relações atuais estão ligadas ao mundo globalizado, tecnológico e digital, facilitando as relações sociais, mas deixando-as individuais, fluidas, volúveis. “O advento da proximidade virtual torna as conexões humanas simultaneamente mais frequentes e banais”, diz Bauman. Inevitavelmente, não são construídos vínculos afetivos reais, prolongando o efeito da individualidade. Assim, elas geram o aumento de problemas como o transtorno de ansiedade, que atinge 10% da população brasileira, segundo a OMS. Tais fatores deixam clara a gravidade do percalço.

Em segunda instância, esse problema é difícil de ser resolvido, porque paralelamente à individualidade, ocorre o aumento da insegurança. Zygmunt Bauman mostra que “Relacionamento e solidão produzem a mesma coisa: insegurança”, explicitando como a vida liquida é vivida em condições de incerteza constante, como uma sucessão de reinícios. Assim, desperta como maiores características do mundo atual o medo, acarretando uma diminuição na saúde mental do indivíduo. Dessa forma, é visível que o assunto em estudo é desafiador.

Diante desses fatores, é inegável que os relacionamentos na modernidade líquida exigem a adoção de medidas eficazes. Uma delas cabe ao Ministério da Educação inserir na grade curricular encontros com psicólogos sobre as interações sociais dentro e fora da tecnologia, com o intuito de capacitar a criança a criar vínculos afetivos duradouros. Por fim, é de responsabilidade do Estado promover reuniões para as comunidades, para que os indivíduos criem relações afetivas com outros que estão ali, zelando pela saúde mental da população. Com tais atitudes, é possível solucionar o problema.