As relações pessoais em tempos de modernidade líquida
Enviada em 08/06/2020
O sociólogo polonês Zygmunt Bauman afirma que vivemos tempos de uma modernidade líquida, devido à inconstância e rapidez com que os processos e relações humanas se efetivam. Nesse sentido, a afetividade construída com a vivência se tornou descartável, haja vista que com a presença do capitalismo ocorre um declínio das sólidas vivências sociais, com o uso excessivo das tecnologias e o consumismo.
Em primeiro lugar, a presença da globalização contribui com o distanciamento social. É notório a realidade hodierna nos versos do poeta Vinicios de Moraes: " que seja eterno enquanto dure", visto que o mundo virtual proporciona novas escolhas instantaneamente, bem como a facilidade de adquiri uma personalidade mais atrativa, a qual pode gerar o isolamento do mundo real e a vulnerabilidade das relações interpessoais. Desse modo, as redes sociais acabam sendo mais interessantes, posto que não se cria vínculo, são vivências efêmeras.
Em segundo lugar, o consumo exacerbado vira um refúgio do problema. Nesse ínterim, de acordo com o filósofo Jean-Jaques Rousseau: " o indivíduo é produto do meio no qual está inserido". Prova disso, como forma de preencher as lacunas das relações superficiais, o consumismo é comum para a sociedade, porquanto a ideia de que um produto irá suprir a necessidade de afeto. Diante disso, as habilidades do ser humano em lidar com suas dificuldades têm sido substituídas pela compra de bens materiais.
Portanto, é preciso promover ações que reavaliem os vínculos sociais. Para isso, o MEC deve disponibilizar aulas semanais com psicólogos que discutam sobre interações sociais dentro e fora das redes virtuais, incrementando na grade curricular, a fim de fazer com que o estudante desde sua infância seja capaz de estabelecer vínculos emocionais duradouros. Além disso, cabe ao Ministério da Saúde associado as secretárias de saúde municipais, realizar acompanhamento psicológico com pessoas consumistas, por meio de visitas nas residências, no intuito de assegurar a pessoa que nenhum produto substituirá a afetividade.