As relações pessoais em tempos de modernidade líquida

Enviada em 03/07/2020

Relações pessoais e modernidade líquida

Sabe-se que, na escola literária do arcadismo, a expressão “carpe diem” significa aproveitar a vida sem se preocupar com o amanhã. Em analogia ao século XXI, pode-se observar que uma parcela social não se aflige mais com as relações pessoais, afinal a instantaneidade tornou-se companhia do indivíduo. Dessa maneira, o egoísmo e a falta do sentimento de alteridade são uns dos problemas que podem gerar dentro de uma comunidade sem embasamentos de convívio coletivo. Logo, medidas corretivas a fim de solucionar a mazela são necessárias.

Em primeira análise, na química, substâncias voláteis tendem a ter praticidade de passar do estado líquido para o gasoso. Diante disso, pode-se adaptar tal pensamento a comunidade, a qual tende a lidar facilmente com inícios e términos, até pelo fato de que há um jeito mais ágil de fingir felicidade por meios de redes sociais e de encontrar alguém em aplicativos de relacionamentos, como o Tinder, para ocupar a saudade ou a carência. Nesse mesmo viés, além do falado anteriormente, as redes sociais distancia as pessoas umas das outras, tornando as relações efêmeras e superficiais. Então, a dificuldade de gerar vínculos está sendo prejudicial, principalmente na comunicação.

Ademais, Zygmunt Bauman, filósofo e sociólogo polonês, defende que vive-se, em uma modernidade “líquida”, mais dinâmica do que a “sólida”. Em tal caso, nota-se que a afirmativa do escritor está indo de encontro aos tempos modernos, pois as pessoas vivem ocupadas demais com problemas ou falta de tempo, devido à sobrecarga de trabalho, considerado por Karl Marx uma alienação, e afazeres. De fato, a dinamicidade ocupa a mente do ser e a convivência entre uns e outros está ficando defasada. Como consequência da efemeridade das relações pessoas, tem-se um aumento no índice de depressão e ansiedade, uma vez que, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), 9,3% dos brasileiros possuem algum transtorno de ansiedade e 5,8% da população é afetada pela depressão. Visto isso, fazem-se necessárias soluções.

Portanto,  cabe ao Ministério da Educação, em parceria aos alunos do curso de Psicologia das Universidades Federais, realizar dias de ações sociais nas praças públicas, por meio de terapias psicológicas com propósito de desenvolver novamente o contato verbal e físico entre a comunidade, visto que o diálogo é importante para o bom convívio. Dessa forma, ainda é possível viver sem se preocupar com o futuro, mas com relacionamentos sólidos e com pessoas que possam ajudar a construir o dia de amanhã. Sabe-se que há muitos desafios, mas, combatendo-os, é possível transpor esse infortúnio.